ENTREVISTA
Turma da
Mônica & CIA
O Parque da Mônica
participa desde o início do Projeto. Todas as quartas-feiras
as crianças vibram e participam com entusiasmo deste
passeio. A Turma da Mônica [entenda-se aqui além
do Cebolinha e Cia, a direção e todos os funcionários
do parque] não fornece apenas diversão: dá
muito amor e carinho, registrado nas cartas que chegam ao
Projeto: "Obrigado por ter realizado meu sonho",
"Adorei o Parque da Mônica", "Me convidem
de novo!"
Agradecemos à Turma da Mônica e toda sua equipe
de voluntários maravilhosos, entre os quais Raquel
Felício, Incansável e sensível
"personagem" que acompanha as crianças
no parque e que nos concedeu esta entrevista, entre risos
e lágrimas. O Parque da Mônica tem coração.
E o Projeto, em nome das crianças e suas famílias,
agradece a sua medida.
Que função você
exerce no parque?
Sou gerente de marketing e minha responsabilidade vai desde
o atendimento ao público externo, às parcerias
promocionais, contratos de patrocínio, mídia,
agências de propaganda, assessoria de imprensa, tudo
que se relaciona com comunicação.
Como souberam do Projeto?
Nosso superintendente, Sr. Francisco Lopes, diretor da ADIBRA,
envolveu-se pessoalmente com o Projeto, ficou entusiasmado
e compramos a idéia. Fomos o primeiro parque a participar
do Projeto e acabamos abrindo caminho para a participação
do Hopi Hari e Playcenter.
Na sua opinião,
o que mudou nestes anos de Projeto?
A profissionalização. As voluntárias
estão mais preparadas. As crianças chegavam
sem saber o que as esperava. Hoje já vêm com
uma expectativa maior e esperam pelo maravilhoso passeio.
Também mudou a receptividade dos nossos próprios
funcionários que hoje estão familiarizados
de que forma devem receber as crianças.
Existe alguma orientação especial
neste sentido?
Todos os nossos funcionários passam por uma preparação
especial, pois recebemos não apenas crianças
com câncer, como deficientes. No começo alguns
ficavam até chocados, mas a gente foi trabalhando
para darem um tratamento natural para que as crianças
não percebessem isto. Hoje isto está superado.
Como as crianças
reagem ao verem a Mônica pela primeira vez?
Este é um momento único. Elas não acreditam.
Perguntam: "É de verdade?" Os personagens
da turma circulam "de surpresa" em determinados
momentos e interagem com as crianças. Primeiro há
aquele choque, depois curtem muito. Assisti a uma criança
que mostrava sua perna amputada à Mônica: "Olha
Mônica, não tenho uma perna, e você tem",
falou naturalmente, sem aquele trauma; os personagens da
turma contribuem para este clima.
Poderia comentar como vê a chegada e a partida destas
famílias?
Todo mundo precisa desenvolver a oportunidade de se doar.
Nossos funcionários foram estimulados e corresponderam
a isto. Tudo que está relacionado ao Projeto, fazem
de bom grado. As famílias chegam ansiosas. Há
crianças que não estão muito bem naquele
dia: ficam manhosas ou mal humoradas. Mas no final do dia
choram sem querer ir embora. Os pais que têm até
30 anos também se divertem radiantes. Eles cresceram
ouvindo falar da Mônica. Desta forma o sonho do filho
torna-se também o sonho do pai.
Como o parque vê esta situação:
o sonho realizado e a volta à realidade?
Acreditamos que após esta experiência, levam
para casa mais esperança. De alguma forma isto ficará
marcado nelas. Passam a acreditar que existem muitos momentos
felizes na vida e que esta é feita de momentos melhores
e piores; levam os melhores.
O que lhe chama mais a atenção ao
acompanhá-las nas quartas-feiras?
Eu falo que choro toda quarta. O que mais me emociona é
olhar estas crianças que acreditam que é uma
oportunidade única, querem aproveitar ao máximo.
Às vezes, como vi hoje, há crianças
que já não têm mais pique de andar,
e então surge a Mônica que vai atrás
dela, se arrastando, imitando seu cansaço e isto
lhe fornece uma energia extra. Para a gente o mais importante
é ver que de alguma forma conseguimos colaborar para
que fiquem bem. Saem daqui renovadas, como se pudessem viver
mais, viver melhor.
E quanto aos pais?
Muitas vezes o pai se coloca numa situação
de ter que ser forte para poder segurar uma situação
destas na vida, e sem perceber, acaba não interagindo
mais com o filho. Coisas básicas como brincar ou
rir à toa. Aqui este pai acaba se soltando: pode
ser visto com o filho brincando dentro da piscina de bolinhas,
ou girando feliz no carrossel. Cenas simples, mas tocantes.
Qual o envolvimento do Maurício de Sousa com o Projeto?
Desde o começo, sempre que pode, faz questão
de estar presente, e participa dos eventos anuais do Projeto.
Nas quartas, se está por aqui faz questão
de ver as crianças. Aliás, a gente só
consegue fazer este trabalho porque adotamos sua filosofia.
Como será o mega evento deste ano que reúne
todas as famílias do Projeto no parque?
A primeira festa conjunta que realizamos foi um grande desafio.
Apesar da expectativa de receber muito mais gente este ano,
a organização se supera a cada ano. O parque
comporta até 2500 pessoas. Acima disto, será
necessário programar o evento em mais dias. Espero
que realmente seja desta forma.
Como você vê o futuro desta parceria?
Desejo que possamos aumentá-la ainda mais. Sempre
tentamos acrescentar algo que poderíamos estar oferecendo.
Acreditamos que esta parceria não pode acabar; deve
continuar sempre evoluindo. Este projeto não faz
bem somente a nós e às crianças, mas
a toda a sociedade, mostrando como é possível
ajudar.
|