Entrevista com o Presidente Constantino de Oliveira Jr
Gol e Projeto Felicidade: parceria inteligente


Como o senhor tornou-se presidente da companhia?

Nasci em Patrocínio, Minas Gerais, fui criado em Brasília, morei um ano na Inglaterra e vim para S. Paulo em 1994. Trabalho desde os dezesseis anos. Frequentei muitas empresas e sempre me mantive ao lado do meu pai, como todos meus irmãos, dando sequência ao trabalho dele, na área de transporte. Administrei muitas empresa de ônibus, adquirindo uma certa experiência e levando este conhecimento para o transporte aéreo. A questão da idade, 34 anos, e da posição que ocupo dentro da empresa foi um pouco do destino. Ter me tornado piloto de avião, gostar de mecânica por natureza e falar inglês foram três fatores determinantes que acredito me levaram a ter sido escolhido para iniciar o Projeto Gol e levá-lo adiante.

Qual tem sido a estratégia da Gol e como ela se encontra hoje posicionada no mercado?

No ano de lançamento, 2001, a estratégia era mostrar uma empresa maior do que inicialmente era, antecipando seu potencial de crescimento. Bem estruturada, a empresa transmite confiança e credibilidade, componentes fundamentais em termos de aviação; ninguém entra em um avião se não tiver confiança. Possuímos aeronaves novas com pilotos experientes e equipe técnica preparada. No início muitas pessoas comentavam que nossa estratégia de preços baixos era marketing de momento, que não sustentaríamos esta situação por muito tempo. Esta redução de custos deveu-se à otimização de tecnologia aplicada no sistema de reservas, vendas, aquisição e manutenção das aeronaves. A tecnologia foi diluída no número de passageiros e nos permitiu investir ainda mais em tecnologia, sempre renovando a empresa. Posso dizer que a Gol é uma empresa de vanguarda no setor hoje, e uma referência para muitas empresas. Nossa participação gira em torno de 15 a 16%, onde operamos com dezenove aeronaves e em 21 aeroportos; 23 na alta temporada.

Qual o significado do lema: "Gol Linhas aéreas Inteligentes"?

Inteligente, no nosso conceito, é quem sabe dar valor ao dinheiro, sabe fazer a conta e buscar o maior benefício para aquilo que está gastando. Enquanto nossos concorrentes vendem o glamour, o status, nós - dentro deste conceito de inteligência - definimos a empresa como uma empresa de transporte ou seja, serviço objetivo. Quem quer ser transportado do ponto "A" ao ponto "B" com pontualidade, regularidade e segurança, e por um preço menor vai buscar a Gol. Quem não busca este tipo de serviço não é nosso cliente. Não que não seja inteligente, mas simplesmente é uma pessoa que está buscando outra definição de transporte.

A Gol já esteve ligada em alguma ação social anteriormente ou o Projeto Felicidade é o primeiro?

Nós já participamos da Alfabetização Solidária, do Governo Federal, transportando equipes de professores de alfabetização durante o ano aos pontos mais extremos do país. A Gol sempre cedeu passagens ajudando pessoas que precisavam se locomover de avião, por algum motivo, como estágio avançado de determinadas doenças. Mas nem sempre você tem condições de verificar se o que a pessoa está pedindo realmente é o que ela necessita, e se o que ela está falando é a verdade. Sempre existe intenção de ajudar, mas uma das virtudes da empresa é ser enxuta e a quantidade de pedidos torna-se muito superior a nossa própria capacidade de análise. O primeiro projeto estruturado que a gente levou adiante é o Projeto Felicidade.

Como foi estabelecida esta parceria?

É muito difícil você achar um projeto sério e que se encaixe na condição da empresa. Muitos apresentam um projeto que prevê o uso maciço do avião e justo nos dias em que os vôos estão mais lotados, o que acaba tornando-se uma parceria inviável. Nosso pessoal de recursos humanos possui uma cota de passagens para ser aplicada em ações sociais. Eles tinham como incumbência buscar um projeto que se ajustasse à nossa realidade. O Projeto Felicidade foi o que melhor se encaixou trazendo para a empresa um caráter de civilidade. Ele tem sido importante pelo seu lado humano e pela oportunidade de todo mundo dar sua cota de participação. Na medida em que empresas como a nossa vão agregando valores a este tipo de projeto, isto incentiva mais pessoas e serve de referência para que mais empresas tenham o mesmo tipo de sinergia e acabem tornando-se também parceiras.

As crianças do Projeto têm visitado a Gol. Como tem repercutido esta ação dentro da empresa?

No dia reservado para o Projeto todas as pessoas se envolvem muito e as crianças fazem uma farra. Esta visita é feita esporadicamente, porque a empresa não tem condições de mobilizar com frequência seus funcionários, pois todos os departamentos querem dar sua cota de contribuição e preparam várias atividades para as crianças.

Em um destes dias, ocorreu uma cena muito engraçada. Eu estava em uma reunião na minha sala quando a criançada a invadiu, na maior algazarra. Ao sairem, uma menininha virou-se para mim e disse: "Tchau, senador!". Quando lhe corrigiram, "Não é senador!" Ela encheu a boca e pronunciou solenemente: "Deputado Federal!". Morri de rir.

 
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