Casas de Apoio


As Casas de Apoio são instituições que acolhem pessoas de cidades vizinhas e de outros estados em tratamento médico em S. Paulo, fornecendo apoio alimentar, terapêutico e assistencial a seus residentes.
Seus moradores possuem tempo ocioso, pois a maioria não trabalha, não estuda e possui uma vida social limitada por estarem longe de seus amigos e familiares.

Pensando em como otimizar o tempo que devem permanecer na capital, o que está diretamente ligado ao tempo em que receberão alta, o Projeto Felicidade juntamente com as Casas de Apoio montaram uma parceria para oferecer mais qualidade a esta estadia.

Grupos de jovens, adultos e crianças são trazidos até a sede para participar de aulas de pintura, música, artesanato como confecção de almofadas, découpage e tear. Almoçam e recebem lanches e muitas lições. Ao final do dia levam uma bagagem maior para casa: valorização de seus talentos com todo o carinho e o apoio que merecem!

Todas as terças-feiras Georgia Abadi coloca suas habilidades a serviço dos grupos trazidos pelas Casas de Apoio entre as quais CACC, AACC e Gotas de Amor. As turmas são muito heterogêneas variando muito em número e faixa etária. Além de curtirem estes momentos de aprendizagem ficam felizes de poder utilizar sua capacidade criativa, ao mesmo tempo formam laços de amizade durante os encontros produtivos.

Georgia que é empresária da Butterfly – fábrica de bichinhos e outros objetos de pelúcia– é a criadora dos mascotes kiko e Kika. Sente-se realizada em poder contribuir como voluntária e elo entre o Projeto e as Casas de Apoio: “Eu amo este trabalho. É uma satisfação pessoal muito grande. Gosto de doar meu tempo a quem precisa”.

Trabalhando há sete meses como voluntária ao lado de Ariela Tabacnik costumam dividir os grupos: “Separamos logo os adultos das crianças. Como vivem em permanente estado de vigília, 24h/dia, precisam relaxar e se distrair. Queremos que usufruam destes momentos o maior tempo possível para voltarem revitalizados à rotina. Até o horário de almoço é separado das crianças para que fiquem tranquilos, sem preocupações”. Ariela fica com as crianças enquanto Tamara A. S. Preter ajuda Georgia nas atividades. “Aqui encontram a possibilidade de se divertir e sentir o quanto são produtivos” , observa Georgia.

As crianças fazem pintura a dedo, massinha e podem usufruir de toda infraestrutura da sede: a sala de computação e brinquedoteca são seus espaços prediletos. Os adolescentes e adultos pintam telas, trabalham com diversos materiais como madeira, tecido, confeccionam mosaicos e bijuterias.

“A cada semana volto mais motivada só de ver a evolução deles. A mudança é muito nítida: começam utilizando cores como o preto, vermelho e roxo nas telas e gradualmente os trabalhos vão ficando mais leves, ganhando cores mais alegres e vibrantes. Em duas semanas muitos se revelam verdadeiros artistas”, declara Georgia.

Para Gildásio de Melo Furtado, Gil, como gosta de ser chamado veio do Maranhão e tem 20 anos. Participa todas as terças-feiras e está muito satisfeito. Antes só assistia TV ou ia ao parque. Agora faz artesanato pela manhã e à tarde faz o que mais gosta: assiste aulas de violão com o professor Beto dando continuidade ao aprendizado que teve que interromper. “Aqui faço coisas novas e toco violão” (acrescentou enquanto pintava sua guitarra de madeira).

Jurema Aparecida da Luz acompanha seu filho que está em tratamento. Pedro pede para não ter consulta no dia marcado para vir à sede do Projeto; não quer perder nada. Jurema gosta muito das aulas de artesanato onde sente que o tempo passa rápido e sonha em colocar em prática na sua cidade (Cruzeiro) o que aprendeu aqui.

“Gostaria de ter aulas de culinária, mas está tudo muito bom. Toda mãe que freqüenta fala muito bem do Projeto”, declara Francisca Perez, feliz por aprender crochê e produzir lindas telas.

Pedro Rafael Ovando adora pintar: “Eu estudava e jogava futebol, mas agora estou fazendo só tratamento, por isto, aqui tem tudo! Me distrai e aprendo muitas coisas.”

Carla Aparecida Aguilar, de 25 anos, também adora vir : “Como está é muito bom e não precisa melhorar. Passo o tempo aprendendo”.

Para Patrícia de Melo Furtado, 23 anos, está sendo muito positiva esta experiência, pois a única atividade que fazia era ir ao hospital ou fazer tarefas de casa. Agora que aprendeu artesanato ensina outras mães da Casa de Apoio com o material que sobra. Para ela as atividades contribuem também para esquecer as saudades de casa e de sua filhinha.

 
 
 
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