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| Lição
de Vida
O
Trabalho Não Pode Parar
Mãe
de Darlene
A
História de Douglas
Viviane
e Elisete
História
de família
Roteiro da Felicidade
O
Saque do Projeto
Máquinas
e motores
Momento
no Parque
Os
Motoristas do Projeto
Dois
casos
Desafiando
o gigante
Carlos
Eduardo, Jaqueline, Guilherme e Vinícius
Do
Japão ao Brasil
Pai
e amigo
"Pense
em Mim..."
História
de Vida
Rosely
Maria da Silva
Aquário
de Santos: Um dos passeios preferidos
História
de vida
Teresinha
e José Benedito
Relato
de um pai
Elizabeth,
mãe de Beatriz, 9 anos - São Paulo
Silvia,
mãe de Douglas 8 anos - Sorocaba
Ermando,
irmão de Antônio, 16 anos - São
Paulo
História
de Vida e Coragem
Por
Renata, mãe de Larissa e Laisa
Um
Projeto Emocionante
Por
Elaine Saltorato (Pestana SP Hotel)
O
Significado do Projeto
Rita,
mãe de Thainá |
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Lição
de Vida

Yuri no parque da Xuxa
Eloisa Viana Saraiva está há
três meses em S. Paulo com seu filho Yuri Saraiva
Lopes, de 13 anos, em tratamento na Santa Casa.
Vieram de Guarapari, Espírito Santo, onde Yuri
era tratado com medicamentos há três
anos enquanto tentavam descobrir a hipótese
mais provável de sua dor e desmaios; uma lesão
na cabeça ou um fungo. Mas quando as crises
convulsivas tornaram-se frequentes e o menino não
crescia nem ganhava peso, sua mãe resolveu
buscar ajuda em S. Paulo. Chegou aqui sem conhecer
nada, apenas com indicações de como
chegar ao hospital, o que fez imediatamente. Com os
exames em mãos e outros que foram realizados,
Yuri foi diagnosticado com tumor encefálico;
infelizmente com metástases na coluna, algo
que poderia ter sido evitado.
Dr. Sérgio Rosemberg, neurologista, ficou indignado,
pois não existe tratar um paciente durante
três anos de uma “hipótese”.
O diagnóstico deve ser claro e evidente, o
primeiro passo para a cura ou para um tratamento efetivo.
Yuri hoje pesa 24 kg. Sua mãe conta que o menino
amadureceu muito. Não é para menos,
com todo o sofrimento e insegurança que gerou.
Na Santa Casa faz quimioterapia semanal, o que terá
que ser feito pelos próximos dois anos.
Hospedados na casa de uma cunhada na Zona Norte, Eloísa
só conhecia o caminho da casa para o hospital
e de volta para casa. Para ela, a semana no Projeto
Felicidade foi ótima, conta. “Yuri adorou
tudo, e eu também. Mas principalmente ele adorou
os voluntários. Ele sempre fica no meio de
adultos e está acostumado”.
Na semana do Projeto Yuri recebeu seu padrasto, acompanhado
de sua irmã de 10 anos, reunindo novamente
a família. Eloisa trabalhava como gerente de
restaurante na praia antes de vir para cá.
Deixou alguém em seu lugar nesta época
de movimento fraco. Diz que conta sempre com a ajuda
do marido e filhos em casa, onde possui um de 14 anos
e outro, de criação, de 21. Ela já
tinha três filhos quando encontrou um rapaz,
próximo de sua casa, sem documentos. Vivia
drogado nas ruas e descobriu que seus pais eram alcoólatras.
Ela resolveu acolhê-lo impondo algumas regras
e condições. Deu-lhe roupas, comida,
corte de cabelo, um novo lar e uma família.
Ele deixou de frequentar raves e hoje trabalha e estuda.
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Eloisa,
mãe de Yuri
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Marli,
coordenadora do Projeto e Yuri |
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O Trabalho Não Pode
Parar

Família Zaneti
Carlos Henrique Zaneti estava acompanhado
de sua esposa Marlene e dois filhos, Érica
de 12 anos e Renan de 6 ao dar este depoimento, numa
sexta-feira, na sede do Projeto. De Santo Antonio
da Alegria, localizada a 100 km de Ribeirão
Preto, divisa com Minas Gerais, estão há
1 ano e dois meses em Barretos, onde Érica
faz tratamento no Hospital de Câncer que fornece
alojamento, alimentação e transporte
para a família. Carlos relata o acidente ocorrido
na escola com Érica. Ela jogava futebol feminino
e certa vez, ao chegar atrasada para o jogo, ficou
de castigo no banco sem poder jogar. Nos últimos
dez minutos da partida foi liberada e entrou em campo.
Foi então que acabou caindo e machucando a
perna. Encaminhada ao hospital o Raio X acusou uma
mancha suspeita no osso da tíbia. Sem nunca
ter sentido nenhuma dor antes, através deste
incidente foi descoberto o osteosarcoma. “Foi
por D’us”, conta o pai, “Ela não
sentia nada!” O osso foi retirado da perna e
Érica teve que de se submeter ao longo de 9
meses à quimioterapia tendo terminado em Janeiro.
Carlos, em agradecimento ao tratamento de sua filha,
fez questão de fazer parte da comissão
de eventos trabalhando como coordenador voluntário
do Hospital do Câncer de Barretos. Levanta fundos
através de eventos sociais. Fala que sendo
uma cidade de poucos habitantes todos se conhecem.
Ele saiu na roça atrás de doações
para realizar um leilão. Cada um contribuía
da forma que podia e com qualquer valor. Foi assim
que Carlos acabou recolhendo um bezerro aqui, sacos
de café ali, valores que iam de R$ 5 a 500.
Realizou um leilão com almoço beneficente
que ajudou muito o Hospital.
Sobre a semana em que participaram do Projeto seu
pai, muito simpático, vai falando sem embaraço:
“Foi muito boa. Nos sentimos muito bem, foi
tudo muito agradável, compensador. A amizade
com outras famílias compartilhando problemas
semelhantes é muito gratificante. Aqui um entende
o outro mais fácil, o que um passou, o outro
passou também.”
A mãe, Marlene, é costureira e Carlos
Henrique, prestador de serviços na lavoura,
entre outros trabalhos informais. Érica falando
sobre os pais declara: “Não tenho palavras
sobre eles; são tudo na minha vida!”
O momento mais marcante da semana para Carlos: “Foi
ver meus dois filhos no Parque da Xuxa; não
sabiam para que lado mais correr, sem querer perder
tempo, sem nem respirar para aproveitar tudo.”
Carlos Henrique agradeceu os passeios, estadia, transporte
e tudo que o Projeto proporcionou a ele e a sua família:
“Eu não teria condições
de oferecer tudo isto.”
E finalizou: “Eu acho que o trabalho igual a
este aqui não pode parar.”
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Mãe de Darlene
Olá Turma do Projeto! Eu, mãe
de Darlene e família, queremos agradecer pelas
oportunidades que nos deram no decorrer deste ano.
Sempre tive uma grande vontade de conhecer o Parque
da Mônica, desde criança ouvia as pessoas
e amigos falarem, mas para mim era um sonho que jamais
poderia alcançar. Mas da nossa vida, é
D’us quem sabe. Felizmente e infelizmente, depois
que a Darlene teve câncer foi difícil
superar, mas graça a D’us a pior parte
passou,. Agora é só alegria e a maior
recompensa é saber que ela não tem mais
a doença. Foi um sonho ter passado uma semana
em um hotel, me sentindo como uma rainha. Dos presentes
que jamais poderia estar comprando para minhas filhas.
Não tem palavras que paguem o que vocês
proporcionaram para nós. Hoje, sinto que o
mais importante é crer em D’us, é
ele que direciona as pessoas corretas em nosso caminho.
Peço a D’us que abençoe muito
a cada um de vocês. E a cada ano que passe tudo
fique melhor do que foi no passado. Agradeço
a D’us por tudo, que seu nome seja sempre louvado.
O D’us Eterno é o meu pastor, nada me
faltará (Salmo 23)
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A
História de Douglas

Douglas deitado na cama hospitalar doada pelo Projeto
Durante o restabelecimento de Douglas,
um menino muito carinhoso de 17 anos, o Projeto Felicidade
soube que ele não se locomovia, passava os
dias deitado em uma cama, e que era transportado pela
avó no colo. Levamos uma cadeira de rodas para
seu maior conforto e ânimo para ele e sua família.
Douglas tem a cabeça coberta de cicatrizes,
resultado de três cirurgias e outra na barriga.
No início era um tumor no cérebro surgido
aos sete anos. Soubemos que ele já havia sido
um cadeirante e quando voltou a andar, a família
destinou a cadeira de rodas à outra criança
mais necessitada. Em momentos alternados notávamos
feições de sofrimento e frases incompreensíveis,
quando tentava contar sua vida. Nutre uma predileção
pelo cantor sertanejo, o Leonardo. A avó contou
que ele acompanhou pela TV a doença do cantor
Leandro que fazia dupla com o Leonardo e que rezava
pela cura deste. Apesar de todo sofrimento, ele ainda
lembra dos dias que conviveu na semana de alegria
do Projeto, ocasião em que se locomovia sozinho
e aproveitava todas as atrações dos
passeios.
Douglas e sua irmã adolescente moram com os
avós, pois a mãe mora com um segundo
marido, mas precisa trabalhar e não pode dedicar-se
ao filho, embora seja bem presente e o visite sempre.
É a avó quem o higieniza, alimenta,
medica, transporta e acompanha ao médico. Ela
dorme num colchão ao seu lado para atendê-lo
e velar seu sono. É ela, com a ajuda da filha
Elisângela, que “briga” com hospitais
e órgãos do governo em busca de melhor
atendimento.
A Sra. Bete conta que o Douglas fez
tratamento no Hospital do Servidor Público
Estadual, tendo terminado as sessões de quimio
e radioterapia. Com o descredenciamento do SUS, foi
cancelado todo e qualquer serviço terapêutico
e social, sem que o encaminhassem a outro órgão
ou hospital. O sustento da família vem da aposentadoria
do avô, um salário mínimo e meio,
usado para todas as despesas. Douglas não tem
benefício ou amparo assistencial, nem transporte
gratuito, o que se torna um grande problema na hora
de ir a um hospital. Usa fraldas o tempo todo, em
média oito por dia. O menino tem anemia e,
apesar da avó preparar com carinho os alimentos
ricos em ferro, o enjôo natural e a falta de
recursos não lhe permite uma alimentação
nutritiva e saudável. Como medicação
de uso contínuo usa Gardenal e Trileftal. Deixamos
a casa com o sorriso radiante do Douglas sentado na
cadeira de rodas, no pequeno quintal, tomando o sol
saudável da manhã de outono.
Nota:
Após esta visita o Projeto Felicidade sensibilizado
com a situação vivida, tanto por Douglas
quanto pela sua avó, realizou a compra de uma
cama hospitalar e de uma cadeira higiênica facilitando
a vida de ambos. |
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Viviane
e Elisete

Ana Paula com seus filhos
Ao visitar a sede do Projeto Felicidade
impossível não notar o sorriso e bom
humor logo na recepção. Prestativas,
as irmãs Elisete e Viviane fazem de tudo com
carinho, educação e disposição
para ajudar. Sua marca registrada é serem produtivas
e ágeis; tudo em prol do Felicidade.
Viviane Ferreira da Mota tem 28 anos. Trabalha no
Projeto desde 2003 e tem uma filha de 3 anos. Sua
irmã, Elisete Ferreira da Mota, tem 32, entrou
no Projeto em 2006 e tem dois filhos. Ambas são
de Embu das Artes e cooperam para o bom funcionamento
do Projeto na sua rotina diária. Montam kits
de artes, kits festa e as sacolas dos presentes. Entram
em contato com voluntárias e os hospitais sempre
que necessário. Conforme Elisete descreve:
“Somos como Bombril; mil e uma utilidades.”
Depoimento
de Elisete:
Conheci o Projeto através da minha irmã.
Entrei primeiro para ajudar na cozinha, depois na
recepção e hoje faço de tudo,
preparo as caixas de madeira pirografando e montando
o material que é presenteado pelos voluntários
nas visitas de segunda e quarta-feira nos hotéis,
também monto vários outros kits do Projeto,
separo camisetas, crachás, kit guloseima, o
Kiko e a Kika que as crianças adoram receber.
Seleciono o kit brinquedos para os irmãos de
acordo com a faixa etária. Quando vêm
as mães das Casas de Apoio também ajudo
na oficina de corte e costura, dando uma mão.
Algo muito gratificante para mim é ver mães
que chegam aqui e se acham incapazes de produzir algo
criativo saírem ao final do dia felizes por
terem conseguido realizar alguma coisa. Interagimos
muito com as crianças e onde me chamarem e
precisarem de mim… é lá que estou.
Quero agradecer muito a Dona Flávia, Simone
e Marli pela oportunidade de estar aqui, trabalhando
para este Projeto.
Depoimento
de Viviane:
Não consigo ver as pessoas que passam pelo
Projeto Felicidade sem me aproximar delas. Muitas
cenas me acompanharam ao longo destes seis anos no
Projeto. Algumas foram mais marcantes.
O pequeno Thiago (o Palhaço Pipoca) que todos
nós tivemos o privilégio de conhecer,
foi um menino marcante para todos do Projeto. Ao retornar
de minhas férias recebi a notícia de
que ele não estava mais entre nós e
foi um choque para mim. Ele adorava passar a mão
na minha barriga, eu estava grávida na época
e foi um choque. Uma menina que conheci, a Nicoly,
ficou dois dias com a gente na sede e também
me marcou. Era uma criança linda, não
andava, não falava e não enxergava.
Fiquei conversando com ela, mas não percebi
que tinha essas deficiências. Fiquei muito mal
ao saber. Eu estava grávida e sem querer ela
encostou o braço na minha barriga e o bebê
começou a se mover muito. Ali decidi dar o
nome Nicoly para minha filha. Anos depois ela veio
a falecer.
Há mais ou menos dois anos conheci o adolescente
William que também não andava. Diziam
que não havia mais o que fazer no caso dele,
estava desenganado pelos médicos. Pediu-me
que o levasse na biblioteca da sede. Precisei pegá-lo
no colo. Pense só na situação
de pegar um adolescente de 14 anos com 25 kilos no
colo. Mas D’us me deu forças para aguentar
aquela situação. Logo veio a falecer.
Conheci Danilo que vinha à sede através
da Casa de Apoio. A cada dia nos apegávamos
mais a ele. Ele não tinha um dos olhos. E mais
tarde perderia a visão do único olho
que lhe restava. Até que soubemos, através
de sua mãe, que não vinha mais à
sede, que o menino tinha medo de tudo, no escuro e
pedia à mãe para acender a luz, pois
enxergava apenas fogo e um homem que queria pegá-lo.
Foi ai que pensei: quando nossos filhos pedem para
acender a luz quando estão com medo, acabamos
acendendo, e essa mãe que nada podia fazer
para superar o medo de seu filho… Depois que
mostrei o caminho da escada e o escorregador ele subiu
e descia sozinho, superando seus obstáculos.
A minha maior recompensa é ver pacientes como
o Felipe vencendo a doença e ingressando na
faculdade; ou o Flávio Mesquita que começou
a frequentar aulas de corte e costura e violino na
sede e até tocou num almoço das voluntárias.
E hoje curado, está trabalhando e feliz. Essas
são as maiores lições de vida
para qualquer pessoa. É gratificante e emocionante
conviver com pessoas tão pequenas que lutam
pela vida.
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História
de família

Ana Paula com seus filhos
Ana Paula Valério mora em S.
José dos Campos. Participou do Projeto Felicidade
com seus três filhos: Vitória, de 8 anos,
Vinícius, de 4, e a pequena Mariana, de 1 ano
e cinco meses.
Vinícius há quase um ano e meio sentiu
um caroço no braço. Os pais consultaram
médicos, fizeram diversos exames e constataram
tratar-se de um sarcoma. Muitas opiniões levavam
ao mesmo ponto: o braço teria que ser amputado.
Os pais não tinham tanta certeza assim. Foram
então aplicadas muitas sessões de radioterapia
e quimio. Atualmente faltam dois ciclos de quimioterapia
para terminar e dar um intervalo no tratamento.
“Durante seis meses meu marido ficou sem dirigir
uma palavra comigo”, desabafa Ana Paula, “colocava
a culpa em mim por ter negligenciado a saúde
de nosso filho. Na época eu tinha, além
de cuidar de meus filhos, cuidar também de
meu pai.”
Ana Paula é calma, fala tranqüila e não
transparece nenhum sofrimento. Aprendeu a superar
a dor tendo que tirar forças para suportar
a carga que lhe cai nos ombros. Estava grávida
de seis meses de Mariana, aos 29 anos, quando percebeu
que algo estava errado. Começou a vazar sangue
de seu seio. Sete meses após o nascimento da
nenê realizou uma biópsia tendo que retirar
o seio, em março deste ano. Tem antecedente
da doença na família; sua mãe
retirou o útero aos 59 anos.
Seus três filhos são crianças
calmas e muito educadas. Dois são ruivos, como
seu avô.
Sobre a semana que passou no Projeto ela dá
suas impressões: “Foi tudo maravilhoso.
Pude ficar mais com meus filhos, dormimos juntos,
acordamos juntos, foi muito bom. Adoramos o Parque
da Mônica. Os gibis da Turma da Mônica
fizeram parte da minha vida.” Completou sua
visão sobre o Projeto Felicidade: “ Para
falar a verdade isto aqui foi uma terapia. Posso falar
pelo meu filho, Vinícius, e todas as crianças.
Aqui eles esquecem das picadas e todo o tratamento
do hospital. Aqui é um mundo, totalmente infantil,
o mesmo que vive na imaginação deles
– um mundo de sonhos.”
Ana Paula cozinha, leva os filhos para a escola, lava,
cuida da casa e ainda faz quimioterapia, sem efeitos
colaterais, além de cansaço. Em certos
dias ela fica com o filho para que ele realize a sessão
de quimioterapia, para depois submeter-se à
sua própria. Sai de casa bem cedo pela manhã.
A sessão do filho leva 40 minutos e a sua,
após largá-lo na escola ou em casa,
dura 3h. “Fico meio grogue…”
E finaliza: “Aqui no Projeto senti que um fortalece
o outro. Não sou apenas eu que estou passando
por este problema. Percebo que não estou sozinha
e há pessoas com problemas mais graves que
o meu. Isto me encheu de esperança.” |
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Roteiro
da Felicidade

Pedro Viana Alves é paranaense,
de Palmital. Está há 20 anos em S. Paulo.
Trabalha como motorista no Projeto Felicidade. Ex-motorista
do estacionamento VIP de Shopping, hoje sua rota é
outra: leva voluntários do Kit Festa para celebrar
o aniversário das crianças em suas residências
e busca as famílias de Casas de Apoio trazendo-as
para a sede para participarem de inúmeras atividades
criativas.
Para Pedro o Kit Festa é muito legal; cada
dia uma surpresa. Conta que certa vez foi levar a
turma do Kit na casa de uma criança em Pirituba.
A menina estava sozinha e ela disse que não
poderia recebê-los, nem abrir a porta, pois
sua mãe não se encontrava em casa, apesar
de ter sido avisada com antecedência que o Projeto
estava trazendo a festa para sua filha. A dona do
imóvel, que por sorte mora ao lado, percebeu
a situação e acabou abrindo a porta.
A menina queria muito aceitar os presentes que os
voluntários trouxeram, mas como a mãe
estava ausente, hesitou se deveria aceitar. Mas acabou
cedendo à alegria maior de receber tanta atenção.
“Lembro outro fato que ocorreu há uns
sete meses. Era uma sexta-feira e tinha uma criança
passando mal na sede, após ter passado a semana
inteira indisposta. A mãe lamentou-se ‘Pena
que não deu para curtir direito’. Neste
dia em que as famílias retornam para suas casas,
mãe e filho foram levados ao Hospital. Ao ajudar
carregando a criança no colo, senti a barriga
dela como se fosse uma pedra. A mãe comentou
que ela sentia fome, mas não conseguia comer
nada. Eles estavam hospedados em uma casa de apoio
perto do aeroporto de Congonhas. Depois de uns três
meses sem escutar notícias perguntei pelo estado
de saúde da criança. Foi então
que soube, através da coordenadora Marli, que
ela havia falecido após alguns dias. Fiquei
arrasado. No entanto acredito que D’us pode
tudo, e mesmo quando médicos dão um
mau diagnóstico, rezando e adotando uma atitude
positiva para encarar a situação, é
possível prolongar a vida ou mesmo encontrar
a cura.”
Pedro leva uma lição para casa: “A
gente acaba dando mais valor à vida. Devemos
levantar as mãos e agradecer tudo que temos.
Apego-me muito às crianças e famílias
e acho que elas sentem isto, pois quando vou buscá-las
nas Casas de Apoio elas vêm correndo me abraçando,
para elas sou o ‘Tio do Projeto’. Para
a gente que trabalha aqui todo dia, o Projeto Felicidade
é uma lição de vida, todos os
dias.”
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O
Saque do Projeto

Ligia Maria Bloise tornou-se voluntária
do Projeto há um ano e colabora dando noções
básicas de tênis para as famílias
que passam a terça no sítio, em S. Lourenço
da Serra. Formada em Citogenética pela US e
tendo passado por um sério problema no pulmão,
Ligia sentiu necessidade de retribuir de alguma forma
todo o cuidado que recebeu de pessoas que a ajudaram
a superar este desafio.
Soube do Projeto Felicidade através de Ricardo
Monesi, pesquisador do instituto de medicina comportamental
da UNIFESP. Já acumulou muitas medalhas e troféus
como jogadora semi-profissional de tênis, as
quais guarda sem expor ou ostentar seu sucesso. Foi
escalada para jogar por S. Caetano do Sul nos jogos
regionais e abertos do interior do estado. Conquistou
a 26ª colocação mundial de Tênis
Amador em 1998, pela Federação Internacional
de Tênis. É um dom de família,
já que seu irmão Beto que vive nos Estados
Unidos já conquistou o 4º lugar do mundo também
como Amador. MBA em Comércio Exterior na Universidade
da Carolina do Sul pretende um dia, junto com a irmã,
montar por lá clínicas de Tênis.Ligia
sente-se feliz em poder colaborar ensinando as famílias
que participam do Projeto a perderem o medo da bola.
“Não dá para ensinar muita técnica
em uma hora e meia de aula. As noções
são as mais simples possíveis, onde
ensino a segurar a raquete e a jogar. O mais importante
é que consigo passar a eles um gostinho pelo
tênis…”, diz ela, que atualmente
joga pelo Círculo Militar e em academias.
Com paciência e humildade, a paixão pelo
esporte supera qualquer dificuldade. Como voluntária
diz estar acumulando muitas lições.
“Dei aula para Felipe, um menino que passou
pelo Projeto, que tinha apenas 30% da visão
do olho direito e conseguiu jogar. Outro que andava
com muletas, largou-as no canto da quadra e começou
a jogar. Isto tudo faz com que me sinta muito bem;
este é o meu canal, a grande paixão
de minha vida. Gostaria de arrumar mais aulas neste
nível, como voluntária, onde me realizo
e levo uma lição de humanidade para
casa. Não existe um único dia que passe
em branco; sempre tem uma pessoa que me diz algo sobre
sua vida, a doença que enfrenta e isto tudo
me faz refletir.”
Ligia dá aulas junto com o professor Dijalma.
São 21 raquetes semi-profissionais , e muitas
sacadas para treinar e divertir o pessoal. Sobre o
grupo de voluntárias do qual faz parte, ela
é só elogios “Tem a Beth, Ione,
Miriam, Marcinha, Claudia, Verinha, Martha, Sonia
[e segue citando para não esquecer ninguém…].
Me sinto muito bem, pois o grupo de terça-feira
é muito especial, muito gente fina mesmo e
somos como uma família. Aliás, quando
rezo para minha família também rezo
para minha família nº 2: o Projeto Felicidade.”
E termina: “ Queria agradecer a esta família
e acrescentar que tudo que faço não
é por prestígio ou reputação:
faço isto por amor.”

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Máquinas
e motores

Felipe é hoje um rapaz de 18
anos ligadíssimo em informática. Participou
do Projeto Felicidade indicado pelo Hospital Sta.
Casa, em maio de 2003. Seu pai, Francisco de Assis
Felipe e sua mãe, Maria Aparecida, o levaram
ao médico quando ele tinha um ano e seis meses,
após observarem que havia algo de errado em
sua visão.
Após exame de ressonância magnética
foi diagnosticado um tumor próximo ao nervo
ótico, astrocitoma.
Seu pai comenta que os primeiros anos foram muito
difíceis e de muito sofrimento. A rotina em
1996, quando foi internado, era uma semana em casa
e duas no hospital para as sessões de quimioterapia.
Isto durou cinco anos, com duas sessões por
semana. Na época a mãe pediu demissão
da empresa onde trabalhava para acompanhá-lo
no tratamento, dedicando-se inteiramente ao filho.
Ao completar 10 anos os médicos previram que
ao longo do tempo Felipe perderia totalmente a visão,
o que acabou não ocorrendo; o tumor permaneceu
estável, não diminuiu nem aumentou.
O olho esquerdo compensa a deficiência do direito
e Felipe não precisa recorrer ao uso de lentes.
Da semana que passou no Projeto Felicidade com sua
mãe (seu pai não pode acompanhá-los,
impossibilitado de largar o serviço) lembra
que adorou o boliche, “o hotel era bem legal”,
e o cinema no Shopping Eldorado, o Hopi Hari, o sítio
do Projeto onde andou de charrete, jogou futebol e
se divertiu muito. Tem lembranças concretas
guardadas até hoje, além das fotos que
registram todos os momentos especiais: “Ganhei
um cobertor quentinho que uso para me cobrir até
hoje”. Felipe chegou a participar da oficina
de música e ganhou um violino que guarda de
lembrança.
Felipe comenta que além dos passeios divertidos,
a semana lhe trouxe outros benefícios: “Eu
não conseguia encarar bem meu problema de ser
diferente, de ser uma criança com um tumor.
Todo mundo brincava na maldade e zuava, o que fazia
com que eu evitasse falar e me abrir. Permanecia calado,
no meu canto. No Projeto pude compartilhar e ver que
havia outras crianças, algumas curadas, e passei
a encarar tudo com mais naturalidade até a
abrir o jogo.”
Felipe está no controle; faz exames de ressonância
a cada dois anos e suas consultas são realizadas
quatro vezes ao ano. Retirar o tumor nunca foi uma
opção viável no seu caso, já
que poderia correr o risco de afetar outra região
de seu cérebro.
Felipe não se entusiasma, como seu pai, que
desde pequeno já mostrava aptidão e
talento para consertar carros e motores. Chico, como
seu pai é mais conhecido, trabalha desde os
10 anos em oficinas mecânicas e há 12
possui a Auto Mecânica Felipão, em homenagem
ao filho. Conta com clientes do bairro e de outros
locais, inclusive de voluntários do Projeto,
que confiam em seu trabalho. Motor, câmbio,
suspensão, injeção é do
que entende e só terceiriza serviços
de ar condicionado e funilaria.
Em fevereiro de 2007 começou um curso de informática
de um ano e meio; 9 módulos de 2 meses de duração
cada um. Nas férias e finais de semana trabalhou
em um mercadinho e durante a semana estudava. “Prestei
vestibular e passei no ano passado no curso de informática
da Faculdade Módulo, mas mesmo tendo recebido
10% de bolsa como incentivo, não daria para
mim nem meus pais arcarem com a mensalidade então,
resolvi deixar de lado no momento.”
Felipe não quer nada com motores, mas máquinas:
deseja tornar-se técnico na montagem e manutenção
de computadores, sua grande paixão.
Ajudou o pai a modernizar a oficina colocando todos
os dados no computador, mas quando o pessoal indaga
por que não segue o caminho do pai ajudando
a tocar a oficina, Felipe é categórico:
“Meu negócio é o computador…”
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Momento
no Parque
Teresinha veio prestigiar a festa no
Parque da Mônica com seu filho Michel Faria
Costa, de 21 anos, de quem não tirava seus
olhos e sobre o qual ainda dirigia um olhar de intenso
carinho e amor.
Teresinha em meio a festa no Parque, sentada com seus
familiares ao redor da mesa da lanchonete, fazia uma
pausa para descanso. Relatou um pouco de sua luta
para ajudar o filho a vencer a doença.
Aos cinco anos Michel fez uma cirurgia para a retirada
de um tumor no cérebro. Permaneceu em coma
por dois meses. Os médicos previram que talvez
não resisitisse ou ficasse paraplégico.
Teresinha perdeu o apetite passando a pesar 36 kilos.
Com a perda do apoio de sua mãe, que caiu doente,
o marido bebendo e falando “Se vira” quando
Teresinha lhe pedia apoio, viu-se sozinha para criar
os cinco filhos.
Com tantos problemas seu mundo desmoronava, e ela
acabou caindo em depressão. Foi através
de um psiquiatra do posto que conseguiu se reerguer.
Lembra as palavras do doutor, “não resolve,
mas ajuda um pouco” quando ela lhe perguntou
de que adiantaria falar de seus problemas. Teresinha
fala que pessoas que possuem vícios é
por que querem: “Eu fumava muito nesta época.
A gente sabe que a coisa mais maravilhosa que a gente
tem é a mãe e os filhos, mãe
é uma coisa grandona, se perdi algo tão
grandioso pensei por que não poderia perder
o cigarro, algo tão pequeno… A vida é
muito boa. Sinto agora gosto e vontade de comer. Com
este milagre que é meu filho, olho para cima
e falo: Meu D’us; o senhor existe!”
Michel concluiu o 3º colegial e tem projetos: bom
em matemática e no currículo escolar,
só notas “azuis”, como declara
a mãe corujíssima, quer tornar-se contador.
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Os
Motoristas do Projeto

Ademir (esq.) e Alexandre
Poucas pessoas têm noção
do acervo de histórias registradas pelos motoristas
que conduzem as crianças e famílias
do Projeto Felicidade. Ao levarem voluntários
do Kit Festa a inúmeras casas, em diferentes
municípios, onde acabam inevitavelmente virando
amigos, confidentes e na bagagem cenas marcantes,
além dos mapas de acesso.
Ademir Rodrigues trabalha no Projeto desde 2002. Era
motorista de empresa que terceirizava o serviço.
Com a convivência, Ademir foi convidado para
integrar a equipe. Um Gol doado ao Projeto servia
de meio de transporte para levar o Kit Festa, uma
festa surpresa de aniversário, ao domicílio
das crianças. O Kit Festa para Ademir era inovador
em todos os sentidos. Tornou o Projeto de apenas uma
semana solidário com as famílias o ano
todo. Leva entre doces e presentes, o carinho e calor
das voluntárias.
Outro motorista que faz parte do Projeto é
Alexandre Sampaio que começou a trabalhar em
2006 dirigindo uma Kombi. Concorda com Ademir quando
observa que encontrar certos endereços torna-se
um grande desafio: é comum muitos não
constarem no guia, não terem indicação
do nome da rua ou número . Muitas vezes é
necessário estacionar o carro e subir as vielas
da favela levando tudo na mão.
Entre as cenas marcantes para Ademir foi ao levar
um Kit Festa para uma criança que tinha várias
cicatrizes das cirurgias que havia feito na cabeça
além de não falar, nem andar. Na semana
que havia participado do Projeto presenciou-a chorando
no colo das voluntárias Adriana e Ana Cláudia,
tentando animá-la. Aquele momento o tocou muito,
e ficou muito triste quando soube que falecera. Acha
que hoje a maioria tem se recuperado.
Alexandre comentou que logo no início, quando
entrou no Projeto, levou o Kit Festa para uma mocinha
de 16 anos com uma ótima disposição.
Muito bonita, “nem parecia estar doente”.
Por este motivo ficou chocado ao saber, duas semanas
mais tarde, que ela havia falecido. Não conseguia
entender como alguém que lhe parecia estar
tão saudável, estava definhando. Outro
fato que jamais irá esquecer foi quando bateu
na porta para levar outra festa junto com as voluntárias
em Jundiaí, e a mãe atendeu completamente
drogada. Encontraram a criança, o aniversariante
de 6 anos, caminhando toda suja, a dois quarteirões
da casa.
Das lições que tem tirado destas experiências
Ademir comenta sobre a pobreza de muitas famílias:
“Mesmo nós, pessoas simples, jogamos
tanta comida fora, é um contraste muito grande
no nosso meio há muito desperdício,
enquanto há gente que não tem absolutamente
nada para comer.” Alexandre lembra de uma casa
de chão batido que visitou no interior: “Era
um cubículo onde moravam sete pessoas. Levamos
a cesta básica e ao colocarem as coisas no
armário percebemos que estavam completamente
vazios. Meus olhos se encheram de água…”
“O pessoal abençoa a gente, muito e a
todo instante”, comenta Ademir. “Reclamamos
de barriga cheia quando temos que percorrer 20 km
de carro ou por besteiras. Estas pessoas lutam sem
perder a coragem, pegando 3 a 4 conduções
às 4 da manhã para chegar ao hospital
às 7, com criança doente. Percebemos
o quanto somos ingratos.”
Para Ademir a felicidade pode ser descrita em uma
cena no Bairro Água Azul, na cidade de Bom
Sucesso. A casa ficava em uma estrada de chão
batido e o bairro em peso, sabendo da chegada do Projeto,
compareceu à festa. O bolo que daria para umas
20 pessoas foi dividido para mais de 50. “E
não é que todos dividiram para comer,
nem que fosse um pedacinho?”
O lado feliz para Alexandre também pode ser
descrito. “Adorei levar um Kit festa numa rua
sem saída. Na terceira vez que subi tentando
achar a casa um monte de gente me recebeu aos beijos
e abraços, tão felizes. A vila inteira
foi à festa. Era ‘O acontecimento’”.
“É verdade”, complementa Ademir,”
a gente está indo levar a festa e eles é
que fazem a maior festa para nós!”. Em
Franco da Rocha apesar das dificuldades, uma família
esperou-os com almoço e em Santana do Parnaíba,
com café da manhã. Alexandre: “Quanto
mais simples, mais gratidão eles têm.”
“Estas mães são heroínas.
As vezes sem ter ninguém a quem recorrer, ainda
arrumam forças para dar um sorriso tão
lindo.”
“ É muito gratificante para nós.
Não há dinheiro que pague isto.”,
conclui Alexandre que adora seu trabalho e acha prazeroso
demais. E Ademir complementa: “Quero terminar
meus dias de profissão desta forma: me sinto
feliz em poder ajudar. Faz com que a gente cresça,
sem nenhuma pedagogia.”

Ademir e as voluntárias
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| Dois
casos

Liane com as filhas
“Não dá para esquecer.
Foi um choque.”
12 de setembro de 2007 foi a data em que Liane e Ramiro
Correa, ambos de Várzea Paulista, escutaram
o diagnóstico de câncer de sua caçula.
Andriessa tem 15 anos e Andrielly 6, que faz tratamento
no Grendace de Jundiaí. Andrielly apresentava
bronquite crônica. Após consulta de emergência
foi constatado baço estendido; leucemia mielóide
crônica. Apenas 5% das crianças no mundo
a contraem. Ela recebe quimioterapia via oral todos
os dias e precisará tomar a medicação
pelo resto da vida.
O casal, mesmo separado, mora no mesmo terreno em
casas separadas. Este acordo amigável foi feito
em prol do bem-estar das meninas mantendo a família
unida neste momento tão delicado. “Se
não sobrasse nem respeito, não teria
valido a pena”, comenta Liane ao lado de Ramiro
que completa: “Convivemos civilizadamente. A
gente se dá muito bem e elas apreciam nos ver
com freqüência ; estarmos ali, sempre disponíveis.”
Existe entre eles amizade e respeito. “Desta
forma é possível compartilhamos os cuidados
com as meninas. “
Liane trabalhava como assessora parlamentar de um
vereador, enquanto Ramiro é operador de empilhadeira
em empresa siderúrgica. Ambos comentaram que
Andriessa se ressentiu ao ser deixada um pouco de
lado devido aos cuidados e atenção voltados
a Andrielly.. “O Projeto resgatou o vínculo
entre elas, que andava abalado; aqui tudo o que tinha
para uma tinha para a outra também. O Projeto
Felicidade proporcionou coisas que a gente nunca poderia
proporcionar a elas… Além disto, convivemos
com famílias que enfrentam situações
ainda mais críticas que a nossa. Liane comenta:
” A gente agradece muito ao Projeto pela iniciativa.
É bom poder contar com pessoas assim; ontem
estávamos no hospital e hoje estamos aqui.
As irmãs se uniram e a mais velha agradece
à mais nova por tê-la trazido junto.”

Josiane, Lívia e Marli (coordenadora do Projeto)
Josiane M. Dias é de Ribeirão.
Possui dois filhos: Matheus de 9 anos e Lívia
de 7, ela em tratamento no Hospital das Clínicas
de Ribeirão. Para eles o tempo passado no Projeto
foi uma semana de férias, especialmente para
a mãe: “Estava precisando…”.
Livia faz quimioterapia a cada 20 dias, por três
dias. consecutivos. Seu diagnóstico: sarcoma
de Ewing. Está sempre de bem com a vida e encara
o tratamento com tranquilidade e bom humor. Adora
conversar e faz novos amigos com facilidade.
O benefício Auxílio Doença foi
negado a Josiane que aguarda decisão da justiça
ao pedido de ajuda para cobrir os custos altos da
medicação. Como está desempregada,
confecciona camisetas para vender e poder manter-se
com o mínimo necessário. O lema da estampa:
“Lutar sempre, vencer talvez, desistir jamais”. |
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Desafiando
o gigante

Em 1992 Carlos Eduardo e Jaqueline
Fernandes se conheceram e em 95 se casaram, ele pernambucano
e ela carioca foram morar em Angra dos Reis. Em 97
sofreram um terrível acidente de trânsito
que marcou suas vidas, publicado na mídia nacional;
um carro com cinco passageiros atravessou voando o
canteiro central da Av. Brasil capotando na contramão
da outra pista atingindo em cheio o carro do casal.
Os cinco morreram na hora. Carlos com nove costelas
fraturadas, deslocamento do pé, etc., e preso
nas ferragens ajudou o resgate. Permaneceu três
meses na cama e um ano de fisioterapia. Jaqueline
entrou em coma profundo acordando após uma
semana e com placas nas duas pernas fraturadas. Em
98 a vida parecia estar retomando seu curso.
Carlos recomeçou a trabalhar
como dentista. Em agosto de 99 Jaqueline engravidou
e como a vida no Rio estava muito difícil resolveram
ir para a Bahia morar em uma cidade a 190 km de Salvador,
Sto Antonio de Jesus. Foi em 2000 que nasceu Guilherme,
hoje com 8 anos,.Quase quatro anos mais tarde veio
Vinicius, hoje com 4, ambos “tão queridos
e desejado”, como enfatizam seus pais. Todos
gostam muito do Guilherme de um sorriso cativante.
Jaqueline, extremamente carinhosa e dedicada interrompeu
a faculdade para dedicar-se em tempo integral aos
filhos. Em 2006, outro susto: o pequeno Vinicius muito
levado, correndo atrás do irmão caiu
fraturando o fêmur tendo que ser engessado da
cintura aos pés por 2 meses. Em plena fase
de crescimento.
Este acúmulo de sustos na vida
viria surpreendê-los uma vez mais em 2007. Os
pais perceberam que Guilherme estava diferente; começou
a mudar a fisionomia e a emagrecer, sem apetite. A
médica que o acompanhava logo ficou desconfiada,
pedindo uma ultrasonografia com urgência. Foi
encontrada uma massa grande com comprometimento de
metástases no fígado e pulmão:
um neuroblastoma atípico avaliado em S. Paulo.
Nesta hora o chão sumiu para os pais e o pensamento
seguinte foi o de vender tudo o que tinham para se
estabelecer em S. Paulo e acompanhar todo o tratamento,
o que acabou não acontecendo, pois receberam
um grande apoio solidário da cidade onde residem.
Apesar das frequentes quimioterapias aplicadas em
altas doses durante 6 meses o tumor era resistente
a qualquer tratamento. As comparações
de exames eram uma decepção, apesar
de Guilherme nunca ter apresentado nenhuma reação
adversa, como febre ou náuseas. Era um caso
atípico avaliado pelo maior especialista e
estudioso em neuroblastoma, Dr. Vicente Odone. O resultado
dos exames acusa estágio IV metastático
inoperável, o que significa que será
necessário transplante de autólogo,
entre outras medidas.
Guilherme assistiu a um filme ao lado de sua família
: “Desafiando Gigantes” onde heróis
(jogadores principiantes de futebol americano) combatiam
gigante (campeões). Um dia ele vira-se para
sua mãe, e faz o seguinte comentário:
“Mãe, eu tenho um caroço…mas
estou vencendo o gigante.
Uma comoção
tomou conta de toda a cidade onde moravam: todos queriam
ajudar a família, que agora mudaria de cidade
sem previsão de volta. Um vendeu a moto, outro
a TV, a geladeira, uma senhora humilde enfrentou uma
enorme fila no banco para depositar R$ 5,00. Esta
batalha virou coletiva. O pai fechou o consultório
largando tudo para ajudar e apoiar seu filho. “50%
do tratamento é a família unida”,
declara Jaqueline.
É sexta-feira, dia de encerramento da semana
no Projeto Felicidade. A família toda veste
a camiseta do Guilherme estampada no peito, desafiando
o gigante.
Que este Quarteto Fantástico saia vencedor,
pois herois já são há muito tempo…
A história de Guilherme está
no youtube.com em “Guilherme Vitorioso”.

19/05/2009
É com o coração apertado que
venho informar que nosso filhinho Guilherme Marques
se foi; virou uma estrelinha no céu, estamos
aqui sofrendo com as saudades, a ausência, mas
confiantes de que ele está curado, sem dores
e lindo como sempre foi.
Ele partiu no dia 28 de março, no ITACI, perdoe-me
por não ter avisado antes, mass ó agora
estou tendo forces. Por favor, avise a nossa grande
amiga Marli, uma pessoa maravilhosa, alias todas são
maravilhosas.
Visite o video novo que fiz. Ficou lindo: video
Abraços em todos,
Carlos Eduardo, Jaqueline e Vinícius
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Do
Japão ao Brasil

Jaime Alves de Araújo Satto
ao lado de sua esposa Roseli e suas duas filhas participaram
do Projeto este ano.
Os avós de Jaime são japoneses, sua
mãe brasileira. Jaime quis tentar a sorte no
Japão, e como já tinha um irmão
e uma irmã residentes lá se entusiasmou
com a idéia. Encontrou trabalho em uma fábrica
de auto-peças, totalmente computadorizada,
onde aprendeu trabalhando em longas jornadas. Passou
por diversos setores tendo sido muito bem recebido
e conquistando a amizade de seu chefe, em Toyama,
cerca de 350 km de Nagoya. Permaneceu lá por
quatro meses sozinho antes de trazer a família.
Após dois anos ao lado do marido e com a filha
Ariele Raiany, de quatro anos, Roseli engravidou de
Andressa.
Aos nove anos a caçula começou a se
queixar de dores de cabeça e perceberam alguns
caroços atrás da orelha e no pescoço.
Os médicos de lá acharam tratar-se de
algum virus e fizeram biópsia, não encontrando
nada.
Resolveram investigar no Brasil onde teriam o apoio
da família e custos mais baixos no tratamento.
Realizaram mais exames chegando ao diagnóstico:
linfoma de Hodgkin.
Andressa passou a ser tratada dos 9 aos 11 anos. A
família fixou residência em Presidente
Epitácio, 8 km de Presidente Prudente fazendo
divisa com o estado de Mato Grosso, onde Jaime tornou-se
pescador profissional de onde tira seu sustento. Estão
morando temporariamente em Campinas onde a filha faz
quimioterapia e manutenção no Hospital
Boldrini. O casal fala um pouco sobre a experiência
de viver no Japão. O salário era muito
digno e levavam um padrão muito bom em termos
de bens materiais. Tinham tudo, mas falam que sentiam
falta da alegria, recepção calorosa
e espontaneidade do brasileiro.
A filha mais velha, hoje com 16 anos , sente muitas
saudades e não vê a hora de retornar
àquele país que lhe deu muitos amigos
e onde criou vínculos.
Como o dono da fábrica onde Jaime trabalhava
não tem filhos sempre se ofereceu para ajudar
sua família disponibilizando passagens aéreas
e colocando o emprego à sua disposição
quando quiser retornar.
O casal fala que o que mais gostaram no Japão
era a tranquilidade, uma extrema segurança
onde o crime é praticamente inexistente na
cidade onde moravam. Em breve com a cura e liberação
de Vanessa do tratamento, fica uma porta aberta entre
o Brasil e o Japão e uma troca constante entre
as duas culturas nestes dois mundos tão distintos,
mas que se completam para a família Satto.
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| Pai
e amigo

Cledemilton Araújo da Cunha
e Shirley Melquíades Santana da Costa participaram
do Projeto em setembro. Ele do Maranhão e ela
de Pernambuco. Ambos foram morar em Boa Vista, Roraima.
Possuem dois filhos: Yan de 5 anos, nascido em Roraima,
e a filha Yane de 10 meses, paulista. Cledemilton
é projetista ambiental e a esposa trabalhava
como secretária na área de exportação
do setor madereiro. O drama deste casal teve início
quarta-feira, 26 de julho de 2007, às 18h,
como lembra bem o pai. Yan estava na casa da avó
enquanto os pais trabalhavam. Ao buscá-lo no
final do dia esta mostrou-lhes o queixo e pescoço
inchados do menino, parecendo caxumba. A noite após
ser examinado por um pediatra a doença foi
descartada e um exame de sangue forneceu o diagnóstico.
Queriam colocar o menino na UTI, sem dar o motivo.
O pai desesperado, não querendo deixar o filho
sozinho voltou para casa. Era 1h da manhã.
Às 3h, extremamente preocupado sem conseguir
dormir, ligou para a madrinha do filho, bioquímica,
contando o que havia ocorrido nas últimas horas.
Ela imediatamente entrou em contato com uma médica
e o resultado foi logo obtido: leucemia em estado
avançado. Como Cledemilton mesmo explica, a
presença de leucócitos em pessoas normais
é de 5 a 15 mil e seu filho apresentava 500
mil, e continuava subindo. Para os médicos,
o menino não passaria de um mês. A mesma
médica de Roraima avisou o pai: “Precisa
agir rápido, já encaminhei tudo para
o hospital em S. Paulo.” O pai logo tomou as
providências internando Yan no Hospital AC Camargo
em S. Paulo. Era um caso raro com alteração
muito alta e rápida de seu sistema imunológico.
Embora o menino chegasse com uma bola embaixo do braço,
com ótimo aspecto e ânimo foi levado
para a emergência em uma maca. Após outro
exame, constataram que os leucócitos dobraram
durante a viagem: apresentava 1 milhão e 180
mil. O pai foi logo fazendo um apelo para os médicos:
“Quero saber de tudo; me informem sobre o bem
e o mal.” Era sexta-feira 23h e iriam submeter
Yan a diversos procedimentos para tentar reverter
o quadro, caso contrário, acreditavam que o
menino não passaria de domingo. Yan foi logo
entubado e submetido à hemodiálise.
O pai permaneceu todo o tempo ao lado do filho. O
sangue saia branco e grosso e era necessário
realizar a troca e afiná-lo antes de começar
o tratamento específico. Cledemilton perguntou
para uma médica que acompanhava o caso quanto
de chance Yan teria de sobreviver. Ela respondeu que
não trabalha com números. Diante de
sua insistência veio a resposta. “Menos
de 5%”. Cledemilton sorriu aliviado para espanto
da médica. “O senhor entendeu bem o que
eu falei?” “Claro! Meu filho tem menos
de 5%. Desde quarta-feira foi a primeira notícia
boa que tive. Deram-lhe 1 mês de vida, depois
que não passaria de domingo. A senhora não
entende; tenho muita fé que o quadro reverta
100% . A senhora pode saber sobre o que a medicina
é capaz, mas do que Ele é capaz eu sei
como ninguém.”
Com 3ml de sedativo uma criança normal é
anestesiada; com 8ml Yan continuava acordado; a doença
lhe causava muita resistência. Às 10h
da manhã de sábado lutando a noite toda,
e com o pai ao pé do leito, os leucócitos
baixaram para 600 mil. A médica avisou que
à noite repetiria o processo para que o nível
se mantivesse. Mas surpreendentemente baixaram para
300 mil. A médica: “Não sei se
fico triste ou feliz. Leva cerca de 4 meses para atingir
este resultado. Provavelmente alguns órgãos
ficaram comprometidos.” E o pai: “Esta
tristeza eu não carrego comigo. A senhora não
tem noção do que o ‘Cara’
lá em cima é capaz de fazer.”
E ela estupefata:” Já tinha visto gente
com fé, mas não assim!” Após
20 sessões de quimioterapia com prontuário
de alto risco o resultado para a doença foi
zero. Yan desde agosto está em manutenção
pelos próximos dois anos e meio. Sobre o Projeto
Felicidade o pai dá seu ponto de vista: “Muitas
famílias ficam encantadas como o hotel é
chique. Mas para nós o mais importante foi
o atendimento humano das pessoas, de ver a alegria
e o carinho com que as crianças e nós
fomos tratados por todos: pelas voluntárias,
pela equipe do hotel desde a recepção,
e este conjunto supera em muito a estadia confortável
e maravilhosa. No Projeto inexistem diferenças
seja de religião, classe social. Todos estão
juntos, solidários.” Cledemilton está
escrevendo seu terceiro livro, ainda sem título,
que pretende ajudar os pais de crianças com
câncer a aprenderem a conversar e entender seu
filho. “Nunca derramei uma lágrima pela
doença de meu filho. Tive que agir e ajudá-lo
nesta luta. Agradeço a D’us que lutou
ao meu lado e me fez encarar tudo numa boa. Aprendi
que embora os pais sofram com os sintomas da doença,
e ficam desesperados com a dor que imaginam que o
filho esteja sentindo, as crianças nem mencionam
a agulha, pois o que machuca mais seus corações
que amadurecem antes do tempo, é sentir a tristeza,
a dor e a agonia dos pais. Isto sim é o que
as faz realmente sofrer.” |
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“Pense
em Mim...”
Em junho de 1998 quando William completaria
5 anos, seu rosto começou a inchar.Levei-o
ao hospital diversas vezes onde os médicos
faziam exames sem descobrir o que ele tinha.
Fiquei dois meses correndo de um médico a outro
e nada. Meu filho já não comia, isto
bem na época em que o cantor Leandro estava
doente. William era e é fã do Leandro.
Ele assistia televisão o dia inteiro, por causa
do Leandro. Quando sentia-se bem vivia cantando a
música “Pense em Mim”, que era
a preferida dele. Quando foi descoberta sua doença
ainda morávamos em Águas Lindas de Goiás,
foi quando o Leandro morreu. William chorava e falava,
“mãe, eu não estou com tumor,
estou com caroço, não é?”
Daí para frente foi só sofrimento. Vim
para S. Paulo com ele e meu marido com a cara e a
coragem, sem conhecer nada. Fomos para o Hospital
do Câncer. Uma semana depois que estava no hospital
ele passou muito mal e foi internado na pediatria.
Tinha uma escolinha e eu ficava um pouco com ele lá.
A tia tocava piano e ele só queria cantar a
música do Leandro. Ele cantou até a
hora que o tumor tampou sua boca,; aí ele chorava
pedindo para eu cantar.
Ele foi para a UTI e ficou em coma. Todo o dia a tia
da escolinha ia com o piano e tocava a música
“Pense em Mim” para ele.
Um dia ele passou a mão no pianinho e reagiu.
Foi muito sofrimento. Ele ficou quase seis meses internado,
a boca dele apodreceu e várias vezes os médicos
falavam que ele não amanheceria no dia seguinte.
Mas eu tinha muita fé que meu filho ia se curar.
Ele fez um ano e três meses de quimioterapia,
neste intervalo, um dia paralisou seus rins, mais
para frente teve três convulsões seguidas.
Fez cirurgia, fez braquiterapia. Um dia os médicos
liberaram ele para que a gente pudesse ir em casa,
só que lá ele passou mal e a gente teve
que voltar as pressas, aí eu fiquei traumatizada
e não voltei mais. Meu marido veio com meus
outros filhos, e alugamos uma casa em Mauá
onde estamos até hoje. William está
curado e muito bem.
Agora eu quero falar da importância do Projeto
Felicidade na vida do meu filho e na minha e de muitas
mães e pais. Um dia eu estava em casa pensando,
desanimada. O telefone tocou, era do Projeto Felicidade
perguntando se ele queria ficar uma semana em um hotel
com tudo pago. Eu não estava acreditando. Falei
para o meu marido e ele me perguntou se eu estava
sonhando, aí eu liguei para confirmar e era
verdade, William ficou tão feliz...
Quando a gente chegou parecia um sonho. Se não
fosse o Projeto jamais teríamos condições
de ir a um lugar daqueles. Ficamos no Hotel Pestana,
tinha passeios todos os dias, presentes, festas. A
“Gol” fez uma festa tão grande
para nós, enfim foi uma semana maravilhosa,
William se divertiu muito, nem lembrava que esteve
tão doente.
O Projeto também esteve no aniversário
do William em nossa casa com bolo, refrigerante e
muitos presentes. Ele ficou tão contente. Na
festa que fizeram para William me convidaram para
conhecer os cursos no Projeto. Fui lá com ele
e deste dia em diante nunca mais parei de ir. Aprendi
a costurar e a fazer minhas próprias coisas
de onde tiro meu próprio dinheiro. Eu costuro
naquelas máquinas que sempre sonhei, ganhei
uma do Projeto e estou muito feliz. No Projeto, William
também realizou um grande sonho; em uma das
festas no Parque da Mônica ele pode tirar fotos
com outro ídolo dele: o Rogério Ceni,
goleiro do S. Paulo. Ele não cabia em si de
contentamento, por isso e muito mais que já
fizeram e que ainda tem por fazer que eu e meu filho
agradecemos a todos os organizadores do Projeto Felicidade.
Que D’us ilumine sempre seus caminhos com muita
saúde e força para todos.
Francisca |
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História
de vida
Rosely Maria da Silva

Roberta com suas filhas durante a semana no Projeto
Rosely Maria da Silva participou do Projeto com suas
filhas Fabiana , de 14 anos, Viviane, de 12, e Juliana,
de 11. Elas são de Taboão, Mato Grosso
do Sul.
Em dezembro de 2005 descobriu-se um caroço
no pescoço de Fabiana. Tratava-se de tumor
maligno de grandes proporções que acabou
levando à descoberta de outro, atrás
do nariz, em diagnóstico realizado em fevereiro
de 2006. Ela teve que submeter-se a quatro meses de
tratamento.
Um novo tumor apareceu na bacia e sessões de
rádio foram seguidas de sessões de quimioterapia.
Rosely trabalhava antes da doença. Foi assistente
de operador em uma fábrica de brinquedos durante
cinco anos, mas teve que afastar-se para poder acompanhar
o tratamento de Fabiana na Casa Pio XII, em Barretos.
Rosely é separada há 7 anos do pai das
meninas. Ele mora em outra cidade mas sempre mantém
contato através de cartas e telefonemas às
filhas.
Apesar de todo sofrimento, Rosely mantém o
bom humor e otimismo. Sobre o Projeto tem sua opinião:
”Este Projeto é maravilhoso, renova e
dá força principalmente para as mães,
oferecendo tanta coisa bonita e alegre, com muitos
passeios e distrações. A gente sai daquele
mundinho fechado. O Projeto Felicidade dá esperança.”
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Aquário
de Santos: Um dos passeios preferidos

Toda vez que o Aquário de Santos entra no itinerário
dos passeios da semana, desperta a curiosidade das
crianças. Os monitores são atenciosos
e incansáveis. Exemplo disto é Maricene
S. dos Passos, formada e especializada em Biologia
Marinha e em educação ambiental. Maricene
trabalha há 12 anos no Aquário. Carinhosa
e delicada com todos, fica emocionada toda vez que
acompanha as famílias pelo local. Ela agradece
a oportunidade de conviver e poder acompanhá-las
nesta visita.
“Pessoalmente fico muito emocionada, pois perdi
meu marido, vítima do câncer, quando
tinha 38 anos e lutei muito ao seu lado.”
Lembra como era difícil e triste o dia-a-dia
e como ninguém está preparado para enfrentar
esta situação de muita dor e medo. Ela
indaga: “Se para um adulto já é
extremamente difícil, o que falar de uma criança
que deveria ter a vida toda para viver?”
Como ficaram muito tempo no hospital, ela acabou conhecendo
uma criança com câncer que se negava
a submeter-se ao tratamento. Maricene tentou ajudá-la
mostrando-lhe novas perspectivas, entusiasmando-a
a fazer uma visita ao Aquário, assim que melhorasse
de saúde.
No entanto esta criança faleceu logo depois,
deixando Maricene muito abalada: não poderia
cumprir mais sua promessa de ser seu guia nesta visita.
Portanto, receber e guiar as crianças do Projeto
em sua visita ao Aquário é uma forma
de Maricene cumprir aquela promessa, aliviando sua
tristeza.
Hoje recebe centenas de estudantes no aquário,
mas é a visita do Projeto Felicidade que mais
sensibiliza sua alma: “Através das crianças
do Projeto sinto um alívio e realização”.
Maricene tenta sempre animar as crianças lançando
desafios para aguçar sua curiosidade. “Elas
necessitam de um dia diferente, especial na vida,
onde deixam de lado pensamentos e temores para só
pensar em diversão e lazer. Só quem
passa por isto sabe como estes momentos as motivam
para a cura. E meu desejo é que jamais um Projeto
como este acabe.”
Sobre as mudanças em sua vida, Maricene declara:
“Mudei muito. Aprendi a valorizar o tempo enquanto
estamos aqui, a não desperdiçá-lo
com bobagens. Devemos transformar o longo prazo em
curto, para realizarmos com urgência nossos
objetivos. Receber o Projeto e suas crianças
é uma lição para mim e a realização
de um sonho que posso concretizar para muitos.”
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História
de vida
Teresinha e José Benedito

Teresinha e José Benedito são do Vale
do Paraíba. Possuem três filhos: Marcelo,
de 26 anos, Patrícia, de 25 e Carolina (Carol)
de 12. Eles participaram com Carol no Projeto no mês
de julho e contaram um pouco da história de
sua caçula.
“Carol é diferente em tudo. A sensibilidade
que ela tem, o carinho e a fé dela mexem com
a gente”, falam emocionados.
O pai é químico aposentado, e a mãe
é auxiliar de serviços gerais em uma
rádio, onde recebe todo o apoio.
Tudo começou em novembro de 2004. Carol não
passava bem na escola, mas acharam que era apenas
um mal-estar passageiro, então vieram os sintomas:
na escola começou a ter dificuldades de enxergar
a lousa. Foi a um oftalmologista, mas no final do
ano piorou e resolveram procurar outro oftalmologista,
Dr. Albano, que após examiná-la encaminhou-a
a uma neuropediatra. Ganhou peso, tinha muito sono
e de uma menina alegre e cheia de amigos, ficava quieta
num canto. Desde pequena sempre foi muito apegada
aos pais, com o tempo tornou-se ainda mais agarrada
a eles.
Em um final de semana ambos tiveram a notícia
de que a filha mais velha esperava um bebê,
Bárbara, a netinha que hoje tem um ano. Na
segunda-feira veio a notícia da doença
de Carol. Foi descoberto um tumor cerebral. Em fevereiro
de 2005 extrairia as amígdalas. Seu sistema
auditivo, respiratório e o nervo ótico
estavam sendo afetados pelo tumor. Em março
mais uma cirurgia; desta vez para removê-lo,
instalado na hipófise. Após a cirurgia
teve que se submeter a incontáveis sessões
de rádio e quimioterapia. Conseguiram remover
80% do tumor, mas 20% foi neutralizado no local, impossível
de ser removido. Desenvolveu diabete insípita
e hipertireoidismo, consequência da doença.
Carol retornou à escola onde é ótima
aluna e tira excelentes notas.
Segundo seu pai, José Benedito, “tudo
tem uma razão, mas digerir é difícil”,
acredita que “D’us dá o fardo e
a cura”.
Para a mãe que recebe todo apoio da rádio
onde trabalha permitindo até que leve Carol
sempre que necessário, diz que “o que
nos mantêm é a fé em D’us.
Me entreguei e sei que D’us não faz as
coisas pela metade.”
Para os pais que enfrentam o mesmo drama, eles aconselham:
“É não desistir, se entregar ao
tratamento e seguir a sua intuição.
Mimamos muito Carol, mas a gente deve fazer o que
o coração mandar. Devemos nos arrepender
do que não fizemos, mas não das coisas
que conseguimos realizar.”
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Relato
de um pai
Gabriel e André sofrem de uma
doença chamada imuno deficência congênita.
Descobrimos a doença de Gabriel porque tínhamos
perdido dois filhos antes, um com sete e o outro aos
oito meses de idade onde através de estudos,
descobriu-se a causa.
Quando Gabriel estava com dois meses descobrimos a
mesma doença nele. Graças ao apoio moral
e financeiro da comunidade onde morávamos,
na Bahia, pudemos vir para Curitiba onde, seis meses
depois, realizamos um transplante de cordão
umbilical, vindo da Alemanha.
Foram dois anos muito difíceis e muita luta,
mas graças a D’us agora ele está
bem.
Aí nasceu André, com a mesma doença.
Ele fez outro tipo de transplante e ainda não
está 100% curado. Toma uma medicação
específica a cada três semanas, mas com
muita fé, ele também se recuperará
totalmente e não precisará de outro
transplante.
Participamos do Projeto Felicidade na última
semana de abril deste ano.
Acredito que o amor é algo próprio de
D’us. O verdadeiro amor é sempre doador.
Agradeço a D’us por vocês satisfazerem
os sonhos dos meus filhos. Para eles foi muito importante
terem vindo neste Projeto. Eles tem orado por vocês
todos os dias. Que vocês continuem atuando com
este amor doador. Obrigado por tudo. Vocês são
1000.
Carta enviada
após retornarem para casa
Eu e meus filhos estivemos participando com vocês
da semana de 24 a 28 de abril. Foi uma experiência
muito marcante para nós. Eu particularmente
fiquei muito impressionado com o carinho e dedicação
com que vocês serviram ao grupo nesses dias.
Para nossos filhos que viveram as dificuldades e tristezas
do tratamento durante muito tempo essa semana foi
muito especial.
Todas as pessoas à nossa volta ficaram muito
impressionados com tudo o que vocês ofereceram.
Nossos filhos não cansam de contar como foi
e é até um pouco difícil por
exemplo, para as crianças da escola entenderem
esse lindo presente que eles ganharam.
Quero mais uma vez agradecer a toda equipe e que D’us
abençõe vocês.
Adailton Pinheiro Santos
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Elizabeth,
mãe de Beatriz, 9 anos - São Paulo
A semana foi ótima e minha filha
se divertiu muito. Depois de ter saído de uma
sessão de quimioterapia foi ótimo, uma
maravilha. Todas as atividades foram divertidas e
ela aproveitou bastante. Acho que este Projeto é
a melhor coisa que já se fez ; o tratamento
se torna melhor e ajuda bastante. A Beatriz está
bastante feliz agora. |
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Silvia,
mãe de Douglas 8 anos - Sorocaba
Fiquei super feliz.
Agradeço muito mesmo às pessoas que
nos deram esta chance. Principalmente nós em
casa, nunca tínhamos saído para passear.
Eu e meu marido somos casados há 22 anos e
nunca ficamos num hotel, é a primeira vez.
Acredito que estou mais feliz que as crianças.
Acho que isso também foi uma forma de agradecimento
para nós mesmos, pois do jeito que o Douglas
estava, o que passamos, o que sofremos, já
são dois anos de tratamento. Então esta
semana parece que superou tudo. Foi muito bom mesmo.
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Ermando,
irmão de Antônio, 16 anos - São
Paulo
Achei muito bom. Acompanho
o tratamento do meu irmão durante mais ou menos
um ano e realmente é muito doloroso. A gente
vê ele sofrer. Muitas vezes a gente olha e não
comenta nada, mas, puxa vida, será que ele
realmente vai continuar vivo? Porque é complicado,
é um tumor e este Projeto é bom, realmente
anima muito a criança. Você vê
sempre um sorriso no rosto de cada uma delas. Isso
realmente me deixou muito contente. Que continue assim. |
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História
de Vida e Coragem

Por Renata, mãe
de Larissa e Lais
Renata é uma mãe jovem,
tranqüila e com um leve sorriso estampado no
rosto. Formada em direito e aberta ao diálogo,
encontra em nossa conversa um meio para mostrar às
pessoas que um fardo pesado pode se reverter em bênção.
Renata possui duas filhas: Larissa, de cinco anos
e Laisa, de dois. Ambas participaram de uma semana
no Projeto Felicidade.
Ela relata ao projeto sua luta contra a doença,
a apatia e o desespero nos momentos mais difíceis
de sua vida.Nestes dias em que participamos do Projeto
esqueci um pouco de nossa vida, saímos de nosso
mundinho. Os parques, as palhaças tão
elétricas e animadas, o pessoal da recepção
do hotel que não sabia o que fazer para nos
agradar, foram todos maravilhosos. Sou muito apegada
à família, a meus pais, meu marido.
Quando casei planejamos ter um bebê no último
ano da minha faculdade, já estava casada há
quatro anos.
Ao engravidar comentei com meu pai que tinha medo
que a criança nascesse com algum defeito, e
ele me respondeu que isto é típico de
mulher grávida, que não passava de besteira
e que desviasse meus pensamentos. Mesmo assim, resolvi
fazer um exame morfológico onde deu tudo normal.
Logo após o nascimento trouxeram meu bebê
dizendo: "Só tem um problema: ela nasceu
mongolóide".
Foi uma dor insuportável. Passei 12 horas de
aflição e agonia. O que me ajudou é
que temos uma estrutura muito forte de família
com apoio de tudo que é lado. Tive que ouvir
coisas do tipo: "Ela irá vegetar",
"Não se apegue muito à sua filha"
e "Estas crianças pegam bactéria
fácil e morrem logo".
Após três meses, fizemos uma série
de exames em Larissa, pois cardiopatia é frequente
em crianças com síndrome de Down, :
não detectaram nada. Uma semana depois meu
marido escutou sua respiração forte.
Ela teve a primeira parada cardíaca, provocada
por sangue no pulmão. Teria que se submeter
a uma cirurgia de coração. Passaram-se
cinco intermináveis horas de espera, onde rezei
a D’us. Não me importava com o dia de
amanhã mas pedi que a salvasse, pois eu teria
capacidade de amá-la e cuidá-la e que
se Ele me deu meu bêbe, eu queria tê-la.
O médico apareceu com notícias: "Mãe;
você vai querer pendurar estes dois atestados
no centro de sua sala; um é o atestado de óbito
que estava prescrevendo após seu bebê
ter tido duas paradas cardíacas e ter falecido.
Este outro, é um atestado de ressuscitamento,
quando a enfermeira percebeu que o lençol em
que sua filha estava coberta para ser encaminhada
ao necrotério começou a subir e descer
e ela voltou a respirar."
Logo depois ela passaria por outra crirurgia. A Larissa
é linda, um presente de D’us.
Dois anos e meio se passaram e fiquei grávida
e muito tensa; não queria que o bebê
passasse o mesmo que a Larissa sofreu. Fiz ultrasons
e parecia tudo normal. Laísa nasceu saudável.
Quando completou um ano e oito meses, segundo a pediatra,
pegou uma infecção de ouvido muito forte
e passamos dias e noites cuidando dela com o ouvido
não parando de escorrer. Me deu um estalo e
decidi procurar outro médico. Após os
exames foi diagnosticado o câncer. Para mim
era algo inimaginável, uma criança com
tumor malígno era algo que eu imaginava que
ocorresse apenas em adultos. E pensei "porque
tanta coisa na minha vida..."
Encaminhamos nossa filha para o Hospital Itaci. Após
mais exames, o câncer estava localizado nos
rins. Se tivéssemos esperado mais dez dias
teria passado para o outro rim.
Eu queria entender o por quê. Sempre tinha feito
todo o possível para ser uma boa filha, esposa,
mãe. Me apeguei muito a D’us para poder
entender porque eu passava por tantas provas em minha
vida. Mas sei que tudo é para o bem e tem uma
razão de ser. Talvez servisse para eu mudar,
amadurecer e foram estes pensamentos e força
que me ajudaram.
Laisa foi operada. A cirurgia para raspagem e extração
destes tumores era extremamente delicada e a falha
poderia resultar em células tumorais se espalhando
na corrente sanguínea. Mas quem comanda a mente
e as mãos é D’us e tudo correu
bem. Laísa fez três meses de quimioterapia,
passou agora para uma vez ao mês.
O que mais posso dizer? Minhas meninas são
o melhor presente que D’us me deu. |
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Um
Projeto Emocionante
Elaine Saltorato
Gerente geral
Pestana S. Paulo Hotel
Hospedamos as famílias do Projeto
desde 2002, quando ainda não era Gerente do
Pestana S. Paulo Hotel. Participamos do projeto, pois
ele é totalmente inovador e vai de encontro
com um dos propósitos da hotelaria que é
de participar dos sonhos das pessoas.
A maioria das instituições
proporciona alimentação, vestuário,
enfim coisas materiais, que também são
importantes, mas a felicidade de se hospedar em um
hotel, se alimentar em um restaurante, visitar um
parque, ter sua família reunida não
pode ser comparada a nada tangível. Com certeza
são horas que as crianças portadoras
da doença e as respectivas famílias
esquecem o drama que vivem.

Acomodamos as famílias
todas as vezes que somos solicitados. No começo
do projeto, antes de aceitá-lo, confesso que
foi um pouco estranho, pois não sabíamos
como os outros hóspedes se comportariam. Resolvemos
tratar a todos como se fossem hóspedes "normais"
e tudo sempre funcionou maravilhosamente bem.
Muitas vezes as famílias chegam muito cons-trangidas,
pois nunca tinham se hospedado em um hotel ou feito
uma refeição em um restaurante, mas
logo se rendem à simplicidade dos funcionários
que se sentem muito bem em atendê-los. Quanto
aos outros hóspedes, nunca tivemos nenhum tipo
de problema, mesmo por que temos algumas pessoas que
se recuperam de tratamentos médicos que fazem
em S. Paulo e não admitiríamos qualquer
espécie de preconceito.O Grupo Pestana, que
é português, e está há
pouco tempo no Brasil, tem um programa de formação
para os colaboradores. A formatura desse curso é
um evento muito importante com personalidades locais
da política, do turismo, enfim da sociedade
e convidamos a Sra. Flávia, Diretora Geral
do Projeto Felicidade, para participar. Ela deu um
depoimento fantástico sobre uma criança
que ficou hospedada e agradeceu pelo bife que havia
comido. Todos se emocionaram. A partir daí
quis conhecer melhor o projeto e me encantei mais
ainda. Fiquei impressionada com a organização
e dedicação dessa entidade.

Colocamos alguns livros sobre
o Projeto em alguns apartamentos para que as pessoas
tomem conhecimento e já tivemos doações,
principalmente de estrangeiros.
Além de colaborar com a hospedagem estamos
em andamento com duas atividades que visam a ajudar
mais um pouquinho esse brilhante trabalho, que são:
1) grupo de funcionários que se juntam para
colaborar com a confecção de bonecos
usados no projeto e 2) colocamos junto ao nosso Guest
Comments um explicativo do que é o Felicidade
e destinando uma verba para o Projeto quando o hóspede
preenche o formulário. (Guest Comments - é
um questionário que todos os hotéis
fazem questão que o hóspede preencha
para saber se as instalações e os serviços
correspondem às suas expectativas).
Enfim, é um projeto emocionante e estamos somente
no começo da divulgação mediante
tantas coisas que podem ser feitas ainda.
Poder dar um pouco de "FELICIDADE" a essas
crianças é com certeza muito mais gratificante
para nós do que para elas próprias.
Parabéns
pelo projeto!
Contem conosco sempre!! |
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O
Significado do Projeto
Por Rita, mãe
de Thainá
Estou escrevendo para
falar o que significou para nossa família a
"Semana Felicidade" que o Projeto nos proporcionou.
Primeiro falarei sobre o que aconteceu conosco. Quando
soubemos do câncer (linfomas) da Thainá
foi como se o mundo desabasse sobre nossas cabeças.
De repente nossos sonhos foram por água abaixo,
só restou tristezas, incertezas e um medo grande
de não saber como lidar com isso. Tenho um
outro filho chamado Alan, tem 16 anos, nasceu com
disretmia cerebral e como consequência tem comprometimento
motor, atraso mental e epilepsia.
Quando fiquei grávida da Thainá tive
muito medo, ao nascer ficamos felizes vendo que era
saudável e perfeita. Minhas atenções
e cuidados foram ficando sempre voltados ao Alan por
ter necessidades especiais.
Quando a Thainá queria chamar minha atenção,
procurava sempre mostrar que tinha uma vantagem sobre
o irmão. Podia fazer as coisas sozinha e com
isso cresceu madura, ia a escola sozinha, ao dentista,
ao treino de futebol, etc… Quando o Dr. Marcelo
deu o diagnóstico senti uma dor tão
grande que parecia não ter fim. Não
sabia o que pensar, fazer e se teria forças
para cuidar de minha filha. Não conseguia planejar
mais nada, comecei a viver dia por dia; acabou-se
os sonhos e o pior, a esperança de um amanhã.
Felizmente pude contar com o apoio de meus familiares,
do GAAC de S. José dos Campos (Casa Girassol)
que nos ajuda muito em todos os sentidos e de uma
amiga de infância que mora em S. José.
Hoje graças a D’us a Thainá terminou
o tratamento quimioterápico, recuperou peso,
os cabelos já estão crescendo, os estudos
vão bem, já está treinando futebol
no time do colégio e voltou a sonhar com o
seu futuro novamente.
O Projeto Felicidade permitiu ficarmos juntos, coisa
que em casa com os afazeres nunca podemos nos dar
tal atenção uns aos outros.
Esta semana resgatou o amor que temos um para com
o outro e para com nossos filhos. A oportunidade de
estarmos juntos fortaleceu principalmente nas crianças
a auto-confiança e a certeza de que somos uma
família e que juntos podemos vencer todas as
barreiras. A maneira que fomos recebidos nos buffets,
o carinho com que as voluntárias nos trataram,
a atenção e a preocupação
da coordenadora Márcia com todos, o hotel foi
tudo tão maravilhoso como num sonho; são
lembranças que levaremos pela vida afora.
As palavras do rabino resumiram nossos sentimentos,
nos fez refletir que existe um Ser superior que nos
criou e que ama sua criatura e que Ele está
sempre em tudo, em todos e em qualquer momento de
nossa vida, especialmente na pessoa do próximo;
daquele que precisa de nós e daquele que nos
estende a mão.
Obrigada a todos por tudo: pela oportunidade de sonharmos
e sermos felizes de novo.
João,
Rita, Alan e Thainá |
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A
opinião sobre a repercussão e resultados
do projeto: |
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