A História de Cristina Martins

A História de Taís

Hellen: sorriso fácil e bons amigos

Fé e amizade: tudo ajuda

Jovens no Projeto

Rompendo Barreiras

Inês e Gustavo

Natália

Mario Giovani

De paciente à empreendedor

Cartas

Passado/Presente – de crianças a adolescentes

André: "Para D'us, nada é impossível"

Jéssica: "Tudo de primeira"

 
 
 

A História de Cristina Martins

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 Meu D’us, não sei como agradecer tanto carinho e dedicação... Me chamo Fernanda Cristina Martins, tenho 24 anos, quase 25 (risadas). Aos 17 descobri que estava com leucemia, e logo pensei na morte, mas com o tempo descobri que estava completamente enganada. Se eu estava com leucemia isso significava que estava viva, afinal, coisas ruins não acontecem para quem não tem vida. (Espero que tenham entendido a minha colocação.) Sei que muitas famílias perdem ou perderam seus entes queridos para o Câncer, mas essa não é a maneira certa de se olhar a VIDA. Sei que é muito difícil, ninguém quer, é difícil aceitar. Mas se pensarmos que não perdemos alguém para o câncer, mas sim que D’us ganhou mais um anjo, fica bem mais fácil. D’us é o pai de todos nós, e 99,9% dos pais sabem o que é melhor para os seus filhos.

Quero agradecer por tuuuuudo que ganhei durante e depois da batalha contra o câncer: ganhei amigos, força, e milhares de outras coisas. Que felicidade... Faço 25 anos no dia 24/03 esses dias cheguei em casa e me deparei com um pacote enorme de presentes, um bolo, refrigerantes, etc. Mas senti muito por não estar em casa no momento em que a equipe do Kit Festa veio me visitar. Minha mãe me contou como foi alegre, chegaram trazendo tanta felicidade. Graças a D’us estou bem, com saúde, e mesmo assim não fui esquecida por vocês. Agradeço muito a D’us por fazer parte dessa família. A leucemia não foi algo ruim, foi um presente Divino. Hoje sei o tamanho da minha força e da minha capacidade. “D’us não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos.”
Fernanda Cristina Martins - Guaianazes

 

 

A História de Taís

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Dalva de Souza é natural do Paraná. Mora em Limeira. Ela e a filha Taís, 16 anos, participaram do Projeto em maio. “Eu morava no hospital e passeava em casa”, diz ela falando de suas idas constantes ao Hospital Boldrini de Campinas.

Aos 12 anos, Taís caiu na escola e reclamou de dores fortes. Após consultar diversos ortopedistas, sem nada diagnosticar, achavam que a mãe estava imaginando coisas. Na ocasião a menina nadava, mas foi aconselhada a parar. “Até eu invoquei e a fiz evitar de andar.” Uma segunda biópsia realizada no Boldrini chegou ao diagnóstico: Osteossarcoma na tíbia de Teo, pela Dra. Simone: “Sua filha sofreu todo este tempo à toa. O primeiro exame já mostrava as células se multiplicando.”

Além da quimioterapia Taís teve que amputar a perna. Hoje com sua prótese não se limita a nada: pinta as unhas da prótese, usa vestidos, e deve isto ao grande apoio que sempre teve da mãe. Observa com pesar que a maioria dos portadores de prótese sentem constrangimento e esboçam um ar de tristeza.

Liberada há dois anos e cursando o 2º ano, Taís voltou a nadar. Já venceu competições de nado de costas e livre. A mãe agradece a sorte de não ter tido nenhuma metástase: “ Se não fosse a misericórdia de D’us, ela não estaria aqui.” Sobre o Projeto Taís acha que “a alegria e o sorriso são os melhores remédios para a tristeza.” Adorou o Aquário: “Quero ser bióloga marinha”, daí a preferência…

 

 

Hellen: sorriso fácil e bons amigos

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Há um ano e três meses Hellen Cristina Tofanin da Silva foi diagnosticada com Glioma, tumor do sistema nervoso central. Tem 15 anos, faz tratamento no Hospital Boldrini de Campinas: “Mês que vem acaba e devo entrar em manutenção.” Mora e estuda em Santa Bárbara do Oeste. Participou da semana no Projeto ao lado da mãe, o irmão de 7 anos e o padrasto a quem faz questão de chamar de pai: “Há seis anos perdi meu pai, mas meu padrasto é meu pai; faz parte da vida da gente.”

Falante e sempre disposta, vai circulando pela sede conversando com todos com sua simpatia contagiante. Hellen cursa o 1º ano do Ensino Médio. “O Projeto é uma oportunidade única. Para a gente pagar uma viagem destas é bem complicado. Gostei de tudo, principalmente o modo como trataram a gente; foi maravilhoso.”

 

 

Fé e amizade: tudo ajuda

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Flávio Mesquita dos Santos era um garoto persistente; hoje um rapaz de 21 anos. Busca sempre força e fé onde as pessoas mais deixariam se abalar: na questão da saúde.

Diagnosticado com osteossarcoma na tíbia, Flávio teve de se submeter a três cirurgias.

Em 2002 acompanhado de sua mãe e dois irmãos, participou do Projeto Felicidade: “O Projeto acrescentou muito em minha vida. Deu-me mais alegria, esperança de cura, numa fase muito difícil. Ter participado me ajudou a acreditar mais na vida, ter mais ânimo e coragem.”

Ainda guarda lembranças: “Tudo foi maravilhoso: o hotel, o aquário e a praia onde nunca tinha ido. Adorei o Hopi Hari. Na época saltei da torre que despenca, isto porque tenho uma perna só! Foi inesquecível. Curti muito o encerramento com as palhacinhas, e o rabino que sempre foi muito gente boa comigo…”

Flávio continuou vinculado ao Projeto ao longo de dois anos em que participou diariamente das oficinas: “Aprendi a tocar violino, fazer objetos nas aulas de artesanato.Vinha e ficava o dia inteiro. Vendi muitas coisas que fazia, o que me ajudou a comprar o que precisava. Sempre que dá venho matar as saudades do pessoal… todo mundo é muito especial para mim.”

Flávio está trabalhando como auxiliar administrativo em um hospital e se sente realizado. Cursa Confeitaria e Panificação, pois pretende entrar na Faculdade de Gastronomia na Anhembi Morumbi. Ele atende encomendas de doces e tortas, o que ajuda a aumentar suas economias que guarda para pagar a faculdade. Para todas as crianças que frequentam o Projeto ele deixa uma mensagem: “Acreditem que tudo o que acontece em suas vidas é por que devem passar por isto, por algum motivo. Tem que ter fé que conseguirão superar esta fase. Se ficarem alegres, sorrirem e ajudarem alguém, conseguirão superar tudo. Manter contato com as pessoas, amigos, tudo ajuda para ter um tratamento adequado. Foi isto que me deu mais ânimo para viver. “

Atualmente Flávio faz um controle anual e está há seis anos fora de tratamento.

Sem dúvida um vencedor!

 

 

Jovens no Projeto

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Todas as sextas-feiras os participantes da semana se reúnem para atividades na sede. Foi em uma destas ocasiões que um grupo de jovens falou sobre o Projeto e planos de vida.

Emerson: “Achei a semana ótima e uma oportunidade de fazer amizades novas. Gostei muito do ‘hotelzinho’ que construíram para os porquinhos-da-índia na Colônia.” [Emerson tem 16 anos, faz manutenção no Gendracc de Jundiaí, onde cursa o terceiro colegial. Gostaria de fazer medicina, mas pelo elevado custo, está mais inclinado a tentar arquitetura.]

Jonathan: “Para mim o Projeto é manifestação de amor ao próximo.” [22 anos, Jundiaí, amigo de Emerson, que acompanha no tratamento.]

Bruna: “O Projeto é uma forma de levar felicidade para as famílias.” [15 anos, Ribeirão Preto, muito jovem para fazer planos da carreira.]

Guilherme: “Estava tudo muito gostoso… Este Projeto é só felicidade em uma semana.” [17 anos, Ribeirão Preto, queria ser biólogo, mas devido ao tratamento de leucemia, que ainda segue por um ano e meio, o plano fica suspenso.]

Wellington: “Gostei muito dos animais e da descontração e do carinho com a gente.” [15 anos, Ribeirão Preto, irmão de Guilherme.]

Bruna: Sobre a amizade entre Emerson e Jonathan, que largou tudo para acompanhar o tratamento do amigo, ela confirma o velho ditado: “Amigo é o irmão que a gente escolhe.”

 

 

Rompendo Barreiras

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Maria do Carmo Souza da Silva tem quatro filhos, é da cidade de Barrinha, próxima a Rio Preto. Veio participar da semana de 23 a 27 de março com sua filha Thaís Franciele, de 16 anos (ambas no centro da foto), através do Hospital das Clínicas.

Há um ano descobriram que Thaís tinha um tumor na cabeça. Submeteu-se a três cirurgias. A menina é cega, mas apesar da deficiência leva sua vida de forma harmoniosa a ponto de superar seus limites aguçando a sensibilidade de seus outros sentidos.

Thaís diz ter aproveitado ao máximo a Colônia do Projeto, que curtiu muito. Mostrou o chaveiro que montou na aula de artesanato, uma das muitas atividades desenvolvidas lá ao longo do dia.

Tem gravadas em sua memória todas as datas relacionadas com a doença, desde o diagnóstico em 28 de março de 2008 e as cirurgias a que teve que se submeter em 29 de maio, 25 de julho e 25 de agosto. “O Projeto foi ótimo. Gostei de tudo. Se pudesse não ia embora…”

Para o futuro a determinada menina já traçou seus planos: “Quero estudar muito e me tornar advogada.”

 

 

Inês e Gustavo

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Inês Gomes da Silva nasceu em S. Paulo e foi para Rondônia aos seis anos quando seu pai, torneiro mecânico, foi transferido pela empresa onde trabalhava. Vive na cidade de Ouro Preto do Oeste, próxima de Jiparaná. Quando está em S.Paulo hospeda-se na Casa de Apoio, AACC na unidade da Rua Borges Lagoa, onde seu filho Gustavo, de seis anos, faz tratamento.

Durante os últimos dois anos e sempre que está na cidade, toda terça-feira participa das atividades na sede do Projeto Felicidade, nas oficinas que lhe fornecem ferramentas e habilidades que a ajudam a aumentar a renda familiar. Foi na sede que aprendeu a confeccionar bijuterias, roupas, bolsas, pintura em madeira, decupagem e panos de prato que vende e dispõe até de um blog para divulgá-los. Além deste pequeno comércio que auxilia sua renda, como concluiu o Ensino Médio está sempre pesquisando na Internet, ocupa-se fazendo dezenas de trabalhos de faculdade para muitos alunos que nem conhece, o que lhe permite estar sempre atualizada.

Inês teve seu filho aos 17 anos em uma gravidez de alto risco. Gustavo foi saudável até os três anos. Como na época Inês trabalhava num hospital e havia observado ao apalpar o menino que havia um aprofundamento em suas costelas, ficou quase um ano pesquisando e consultando médicos. Mesmo com muitos exames na mão diziam não haver nada de errado com o garoto. Esgotados todos os canais, e o menino não se queixando de sintoma algum, resolveu colocar suas economias numa passagem e estadia em S. Paulo. Ao mostrar os exames os médicos constataram tumor entre duas costelas, num estágio muito avançado. Foi preciso retirar duas costelas, infelizmente perdendo um pulmão e seguiu-se a radioterapia. A cada seis meses eles retornam para manutenção em S. Paulo. Muitas vezes permanecem aqui por três meses.

Inês mora com os pais em Rondônia e os ajuda em suas despesas. Sua rotina segue assim: pela manhã Gustavo vai para a escola enquanto Inês sai para vender seus produtos; à tarde fica com o filho que tem aulas de natação e fisioterapia e à noite dedica-se aos trabalhos da faculdade que invadem seu final de semana e as madrugadas. Costuma dormir 4 a 5 horas por noite. Às 6 já começa a preparar o filho e a casa para mais um dia.

Seu tumor é um caso raro na medicina. Gustavo é esperto e ela não esconde nada dele. Mesmo pequeno ele sabe tudo; apesar de sentir medo, sente-se seguro. Ela não tira os olhos dele nunca, sempre atenta pesquisando se os remédios prescritos não causam efeitos indesejados. Ela salvou o filho e sente-se responsável por seu bem estar.

Questionada sobre os benefícios que o Projeto Felicidade lhes trouxe, respondeu prontamente: “Todos! Minha vida financeira depende do Projeto. Tudo que aprendo aqui, vendo lá. Quando participo do Projeto esqueço os problemas, deixo o Gustavo mais livre, e ele fica mais feliz. Aqui fico tranquila e não há perigo de se ferir. É tudo seguro.”

 

 

Natália

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Natália

Natália é uma menina muito bonita de 15 anos que participou da semana de 5 a 9 de maio deste ano ao lado de sua avó, Guiomar. Sua luta começou há pouco mais de um ano enquanto dançava em sua 3ª aula de balé sentindo fortes dores. Ao ir a uma consulta médica e após um raio x encaminharam Natália para uma equipe de oncologistas. Por três vezes diagnosticaram Osteossarcoma após três biópsias. A junta médica decidiu que o melhor seria amputar sua perna, o que levou a menina ao desespero e sua avó a rejeitar o procedimento. Inconformada, Dona Guiomar apanhou o prontuário e outros documentos levando tudo para a cidade de Barretos atrás de uma luz no final do túnel. Persistente a encontrou: a luz chama-se Dr. Walter Pena, do Hospital Pio XII . Ele afirmou que a menina não precisaria de forma alguma amputar a perna, pois seu diagnóstico era tumor no fêmur. Deu sua palavra de que a menina ficaria bem. O procedimento mais apropriado, segundo ele, seria remover todo o fêmur, já que havia pontinhos perto da lesão maior, e em seu lugar seria colocada uma prótese. A cirurgia foi realizada em novembro de 2007 e Natália ainda se recupera fazendo fisioterapia para aprender a dobrá-la, em um processo lento. Mudaram de S. Paulo para Mogi Guaçu, a 4 horas de Barretos, onde Natália faz tratamento. Desde os quatro anos de idade ela e a mãe moram com a avó, que aliás, não a perde de vista sequer um minuto. A avó fala que mudou-se porque no local consegue ambulância fácil sempre que necessita , como em caso de febre alta quando precisa levar Natália para a emergência por sua baixa imunidade.

Natália às vezes torna-se agressiva, revoltada. “Trato ela com muito carinho e respeito, mas também exijo que ela me trate da mesma forma. Tem dias que Natália se nega a andar, tomar banho, mas faz parte e a gente segura o pepino. Entendo sua revolta, pois puxaram o tapete dela de uma só vez,” fala a avó. Já que não pode ser modelo, Natália lamenta a sua altura, deseja ser polícia científica e ajudar a desvendar crimes. Vive cercada de carinho, e gosta de se produzir cercada de maquiagem, bijouterias e perfumes. Entre os aromas da vida a vontade de lutar e vencer, inspirados pela sua avó.

 

 

Mario Giovani

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Mario Giovani

Maria Aparecida é mãe de Mario Giovani, de Rondônia. Ela costumava trabalhar em sua cantina, dentro de uma escola, onde tirava sua sobrevivência. Dia 25 de setembro de 2007 Mario jogava futebol quando, após uma bolada na cabeça, caiu perdendo a consciência. Ao recobrar os sentidos estava muito estranho: estrábico, sem coordenação motora e com vômitos. A reação da mãe foi de desespero, mas logo levou-o a diversas consultas; primeiro um oftalmologista, que após exames o encaminhou a um neurologista. O primeiro diagnóstico foi um coágulo no cérebro. A mãe caiu em depressão pela gravidade do caso. Seu filho, apesar de continuar frequentando a escola, era vítima constante de preconceito: insinuavam que seu desequilíbrio era por ser drogado ou alcolizado.

Sem dinheiro e desesperada para fazer exames mais apurados a mãe chegou a deixar sua identidade como garantia de que pagaria por uma tomografia que diagnosticaria Meduloblastoma. É agradecida eternamente a políticos e voluntários que a ajudaram neste percurso, inclusive sua mudança para Barretos, com passagens e dinheiro em busca de ajuda a seu filho. Ivã da Sulcan e a empresa de ônibus Elcatour são nomes que jamais esquecerá enquanto viver. Maria Aparecida enviuvou grávida. Seu marido faleceu de enfarte em uma tragédia da família e que gerou muito preconceito. É Andréia, sua filha e mãe de uma criança de 3 anos que assumiu cuidar de seu irmãozinho em Rondônia para que sua mãe possa prosseguir nesta batalha. Lembra que chegaram dia 28 de outubro ao Hospital do Câncer e se alojariam na Casa Acolhedora Vovô Antônio onde estão hoje. Na primeira consulta já operaram Mario colocando uma válvula no cérebro. Sete dias mais tarde operaram a região do tronco e permaneceriam 17 dias no hospital. Só com a roupa do corpo recebeu comida e roupas de voluntários. Mario não andava, nem falava. Após seis meses recobrou a fala e até corre. Hoje faz 5 sessões de quimioterapia ao mês. Em Barretos ele frequenta escola e participa de passeios promovidos por voluntários da cidade. A meta de sua mãe é comprar uma casinha e trazer filhos e o neto, pois o tratamento vai demorar.

 

 

De paciente à empreendedor

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Sou Lucas Dantas, tenho 17 anos e atualmente moro em Milagres, interior do Ceará, terra dos meus pais Isac e Marta. Sou cadastrado nesse Projeto maravilhoso Felicidade onde vivi muitos momentos felizes.

Tive LLA (Leucemia Linfóide Aguda diagnosticada em julho de 2001, tratada até julho de 2004 com quimioterapia e radioterapia pela minha querida e amada Dra. Paula Bruniera que nunca esqueci. Tive sucesso no meu tratamento realizado na Sta. Casa de S. Paulo. Durante esse período para me distrair e passar o tempo durante as hospitalizações, que não era fácil, pintava vasinhos de argila e fazia flores com a técnica da meia de seda que aprendi com uma professora de artes. Todos se encantavam com meu trabalho. Para poder dar conta das encomendas precisei ensinar dois amigos para me ajudar. Vendi tanto que comprei até meu próprio computador com o dinheiro dos vasinhos.

Durante meu tratamento participei do Projeto onde conheci muitos amigos. Nunca esqueci dos dias maravilhosos que passamos e a atenção que recebi de todos que me trataram com muito carinho. Fui muitas vezes na festa no Parque da Mônica, conheci vários artistas e meu aniversário foi comemorado ao lado dos voluntários que me visitaram com bolo e presentes.

Ao terminar meu tratamento viemos morar no Ceará. Me adaptei nesta vida tranqüila e saudável com muito ar puro: estudo, prático esportes e hoje estou muito feliz. Aqui tem muitas crianças e jovens, mas uma grande diferença social. Vivem ociosos sem nenhuma forma de lazer, nem mesmo um campo de futebol, sem renda. Terminam o 2º grau e não tem acesso a faculdades ou empregos.

Então tive a grande idéia de doar meu material de artesanato para fazer flores e junto com minha mãe iniciamos um trabalho voluntário em setembro de 2006, que foi crescendo e onde novas pessoas se aliaram a nós ensinando artefato, biscuit, crochê, bordados. Formamos um grupo de capoeira, de dança e teatro. Então nasceu a Associação Comunitária Lucas Dantas – ACOLD. Meus amigos escolheram meu nome para dar origem a esta associação. Eu quis que ela fosse destinada a visitar e assistir crianças com câncer em hospitais, casa de apoio e residências levando a terapia ocupacional, orientações de higiene e alimentação para imuno-deprimidos e crianças deficientes. Já conseguimos uma cadeira especial e um aparelho para duas crianças com paralisia cerebral. Nos tornamos muito conhecidos aqui e nas cidades ao redor. Também desenvolvemos trabalho com crianças carentes tentando ocupá-las e criar alguma fonte de renda para mantê-las longe de vícios como bebidas e drogas.

Minha mãe fez contato com a ONG Anjos da Enfermagem que possui um centro de oncologia, onde nos tornamos parceiros.O Nordeste é muito pobre, o diagnóstico difícil, o tratamento e cura também por falta de informação e boa alimentação. Devo a D’us minha cura através do diagnóstico e tratamento rápido, com médicos competentes, um Projeto Felicidade para me sentir feliz. Hoje saudável, quero fazer um trabalho que faça a todos felizes, gritar que o câncer infantil tem cura, que sou um exemplo vivo pós dois anos e oito meses de tratamento e que o mundo inteiro precisa se mobilizar e ajudar a minimizar o sofrimento dessas crianças, principalmente das que não tem condições de se tratar. Às vezes o prognóstico vem antes do diagnóstico.

Quero dizer para a Dra. Paula Bruniera que cuidou de mim e de tantas crianças pelo SUS que a amo e nunca esquecerei seu carinho e dedicação e que é a pessoa mais especial da minha vida e que todos os dias rezo para que D’us derrame sobre ela rios de alegria, felicidades, esperança, sucessos. Dedico a Associação Comunitária Lucas Dantas a ela e a toda sua competência. Beijos para todos meus amigos desse Projeto maravilhoso. Sou feliz porque tive o Projeto Felicidade no meu momento mais difícil.

Lucas, Milagres – Ceará

Nas fotos ao alto: Lucas ao lado de seu pai e hoje, aos 17 anos. (2008)

 

 

Cartas

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Felicidade é saber que há sempre um anjo perto de mim…
seja ele mãe ou médico; amigo ou voluntário; palhaços ou pessoas
que fabricam sonhos como o pessoal do Projeto “Felicidade”

Isabela Fonseca Reis – 14 anos

Aos amigos do Projeto Felicidade; tudo bem meus amigos? Comigo está mais ou menos porque terei de passar por outra cirurgia que já está marcada para o dia 9 de abril.

Essa será a 6ª cirurgia que eu faço, mas se D’us quiser, e eu sei que Ele quer, vai dar tudo certo.
Espero vocês para me visitar se vocês puderem, eu ficarei muito feliz com a presença de vocês, e com certeza eu irei me recuperar logo.

Estou mandando os desenhos para participar do concurso do Projeto Felicidade, espero que vocês e o júri gostem dos meus desenhos. E mais uma vez eu só tenho que agradecer a vocês por tudo que fizeram por mim, obrigado mesmo do fundo do meu coração.

Um grande abraço em cada um de vocês e beijos. Espero a resposta desta cartinha e novos desenhos para eu pintar , o passa-tempo e atividades.
Aline – 10 anos – Guarulhos

Olá! Tudo bem com vocês? Comigo está indo tudo bem. Meu nome é Kauê e quero agradecer vocês pelas cartinhas, adorei todas elas.

Vou contar a vocês um pouquinho das novidades. Estou estudando bastante, freqüento a escola Irmãos Matos de manhã e à tarde vou para a pré-escola Gercyra de Andrade. Ah! Comecei a participar da ginástica olímpica . Gosto muito de brincar de motoca, andar de bicicleta com o meu amigo João Marcos e de comer batata e abóbora.

Por enquanto estas são as novidades. E quem me ajudou a escrever esta cartinha [em braile] foi minha professora Iara. Um grande abraço!

Kauê – 5 anos – Patrocínio Paulista – SP

 
 
 

Passado/Presente
De crianças a adolescentes

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Lauro e Thainá participaram do Projeto Felicidade em 2003. Ficaram hospedados com suas famílias no mesmo hotel e fizeram amizade. Hoje, ambos curados, já adolescentes, sem saber um do outro, vieram visitar a sede no dia 20 de julho deste ano para matar a saudade de toda a equipe.

Um não sabia da vinda do outro, e quando se encontraram ficaram felizes e emocionados, deixando cada um seu depoimento.

Lauro
Na fase em que passei pelo Projeto Felicidade eu não sabia tamanha proporção de felicidade que esse projeto tinha a me oferecer, pois durante o tratamento eu já desconhecia o que era felicidade, não sabia mais o que era sorrir. Foi quando minha médica me convidou para participar deste projeto chamado Felicidade, então perguntei a ela que projeto era esse que consegue proporcionar felicidade a uma pessoa que já está descrente que ela realmente existe. Fiquei meio desconfiado de tal milagre, mas aceitei vir, pois no estado que me encontrava, disposto a largar aquele tratamento tão sofrido e desgastante que roubou meu sorriso e minha felicidade. Decidi ir, pois aquela semana seria de descanso do hospital, o que já me deixou aliviado de não ter que ver o hospital durante cinco dias. Achei o máximo sem saber a maneira que iria voltar para casa na sexta-feira. Meu D’us! Foi a semana mais especial e maravilhosa para mim, não queria que acabasse nunca, não somente porque essa semana me trouxe o sorriso e a felicidade de volta, mas porque também vi minha mãe voltar a sorrir e se divertir, pois ela sofreu mais do que eu e chorava todo dia. E além de toda essa conquista que o Projeto proporcionou a mim e minha mãe, eu consegui conquistar amizades maravilhosas como a da Thainá e sua mãe, na qual será uma amizade que irei preservar não importa o que aconteça. Tem também o Felipe que está em tratamento; amigão esse que também conheci no passeio, e essas duas amizades mais do que especial por que eles não são vizinhos. Moram tão longe, mas parecem tão perto então agradeço ao Projeto por tudo que foi feito por mim e especialmente à Flávia, pessoa que tenho no meu coração. Valeu Projeto Felicidade!

Thainá
Eu estava em meio ao tratamento que foi um período muito sofrido, quando o Hospital GPACI me convidou para passar uma semana em um Projeto. Eu não sabia que esse Projeto me traria imensa felicidade. Passei uma semana maravilhosa, com muitos passeios, brincadeiras e sorrisos. E o que foi mais importante para mim foi as amizades que conquistei e que até hoje preservo.
Após três anos retorno à sede do Projeto, e foi um dia muito feliz e uma emoção muito grande. O ônibus parou em frente ao Projeto e pude rever os grandes amigos. E tive uma surpresa maior ainda ao entrar no Projeto e encontrar o Lauro, que foi a pessoa que participou comigo na semana em que passei no Projeto, em maio de 2003. E pude abraçar a Flávia que é uma pessoa maravilhosa e de quem eu sentia muita saudade.

 
 
 

André: "Para D'us, nada é impossível"

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André, de pé, ajudando o Projeto

Tenho 14 anos, me trato há oito meses no ITACI, de um tumor na hipófise. Esse tratamento pelo qual passamos é muito doloroso, pois sempre nos deixa limitados de alguma coisa, sem contar que muitas pessoas nos olham diferente, pois ainda acham que essa doença não tem cura, mas eu acredito que para D’us nada é impossível. É tanto verdade que D’us colocou vocês do Projeto Felicidade em meu caminho, através da assistência social, vocês me mostraram que existem pessoas de bom coração, que nos transmitem força para enfrentar esta fase difícil.

Vocês nem imaginam o quanto esta semana me fez bem, esquecendo assim que tenho algum problema de saúde. Cada dia dessa semana foi maravilhoso, pois fiz muitas amizades e conheci lugares e coisas que jamais havia conhecido. Ao longo dessa semana fomos nos tornando uma família que pretendo cultivar.

Que D’us abençõe a cada um de vocês do Projeto e quero lhes agradecer esta oportunidade de poder participar dessa semana inesquecível e única. Espero sempre manter contato com todos vocês que são maravilhosos.

 
 
 

Jéssica: "Tudo de primeira"

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Jéssica na sede

Tenho 15 anos. Tudo começou quando tinha 9 e senti uma dor no quadril. Ela foi ficando insuportável e fui levada ao hospital. Foram dias, semanas e meses sem resultados, pois na Bahia, a cidade que eu moro, não conseguiram achar o real problema de minha dor.

Meus padrinhos me trouxeram para S. Paulo, me encaminharam para as Clínicas, pois meu caso era grave.

Depois da ressonância foi descoberto o real problema das minhas dores; um tumor na medula. Já fiz duas cirurgias e fiquei com sequelas na bexiga; bexiga neurogênica. Em dezembro de 2004 fui para a Bahia. Quando voltei em fevereiro soube que o tumor havia voltado. Fiz e ainda estou fazendo quimio para saber se ainda vou ter que fazer outra cirurgia.
Agora estou no ônibus indo para o Projeto Felicidade que me deu uma semana de descanso, para a minha mãe também.
Ficamos no hotel cinco estrelas, onde fomos super bem tratadas, tudo de primeira. Dormimos bem, comemos bem, com muito conforto e quantidade, com pessoas carinhosas e atenciosas.

Os passeios com o Projeto Felicidade foram maravilhoso. Segunda-feira fomos para um buffet onde brincamos à vontade.
Terça fomos para a sede, quarta para o Parque da Mônica, na quinta fomos ao Parque da Xuxa. O Projeto Felicidade proporcionou uma semana de princesa onde fomos reconhecidas como pessoas, com igualdade.

D’us abençõe esse projeto porque ele ajudou muitas crianças e ensinou as crianças a serem felizes. Eu espero que continue assim. Beijos para todas as tias que participaram. Muito obrigado.

 
 
 
A opinião sobre a repercussão e resultados do projeto:
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